19 julho, 2017

SOCIOAMBIENTALISMO: CIDADANIA AMBIENTAL - 19 de julho de 2017

SOCIOAMBIENTALISMO: CIDADANIA AMBIENTAL - 19 de julho de 2017: Cidadania Ambiental Ararangu á   –  SC, 19 de julho de 2017 (48 / 99985.0053 Vivo) tadeusantos@contato.net  /  tadeussantos51@gmai...

CIDADANIA AMBIENTAL - 19 de julho de 2017

Cidadania Ambiental
Araranguá  SC, 19 de julho de 2017
(48 / 99985.0053 Vivo)

Ao nosso modo, com outro olhar e outra atitude, estamos fazendo e registrando a história socioambiental de Araranguá e Região Sul de Santa Catarina. Participe também, seja nossa parceira/o nesta voluntária empreitada em defesa da natureza e de uma melhor qualidade de vida para toda população.
OBS. Lembrando que o simples ato de recomendar, comentar ou divulgar a leitura destas mensagens ou do blog a outras pessoas já é uma atitude ecologicamente correta!

‘’AQUI O MEIO AMBIENTE É TRATADO COM SERIEDADE, INDEPENDÊNCIA E ÉTICA!
BUSCAMOS DE FORMA ESTRITAMENTE VOLUNTÁRIA O EQUILÍBRIO ECOLÓGICO,
POR ISSO COMBATEMOS QUALQUER TIPO DE RADICALISMO OU EXTREMISMO’’

(clique no link do blog para ler na íntegra e visualizar fotos)
(Publicado também no site da CONTATO, no FACEBOOK, além da publicação do link SOCIOAMBIENTALISMO em vários outros sites e blogs)


DE NIRO E AL PACINO
Será a terceira vez em que De Niro e Al Pacino atuarão contracenando juntos em um mesmo filme. Atuaram juntos nas películas ‘’Fogo contra fogo e As duas faces da lei’’, enquanto que na obra prima ‘’O Poderoso Chefão’’ não contracenaram juntos. Vamos aguardar o resultado da parceria destes dois notáveis atores na produção ‘’The Irishman’’, sob a direção do mestre Martin Scorsese, abordando a misteriosa morte do sindicalista americano Jimmy Hoffa, ligado à Máfia.
Uma outra versão sobre o mesmo personagem foi realizada em 1992, pelo ator diretor Danny DeVito intitulada ‘’Hoffa, um Homem, uma Lenda’’ , interpretada pelo ator Jack Nicholson.
OBS. O Jimmy Hoffa nasceu em uma pequena cidade americana chamada ‘’Brazil’’, talvez por isso gostasse tanto do Rio de Janeiro.


PLANO DECENAL DE ENERGIA 2026

Lula e Dilma criaram políticas favorecendo a queima de combustíveis e Temer as mantém, inclusive utilizando o mesmo discurso de apoio ao Acordo de Paris (e Kioto), um posicionamento maquiavélico e contraditório, pois continuam permitindo a mais suja e mais cara fonte na matriz energética brasileira.
Se o Plano Decenal de Energia 2026 (PDE) continua prevendo investimentos em carvão, gás e petróleo, então a USITESC 440MW pode ressurgir das cinzas em Treviso/SC, assim como outras térmicas no RS e na região Norte com a queima de carvão importado...
Para ser coerente com as metas estipuladas no Acordo de Paris, o governo brasileiro deveria proibir a queima de carvão e passar a incentivar mais ainda as fontes renováveis de energia!


DESIGUALDADE SOCIAL
Enquanto houver desigualdade social neste país as classes menos favorecidas pelo sistema político / econômico continuarão a cometer furtos e crimes. Enquanto isso se faz necessário reforçar a segurança da população com mais policiais nas ruas.
Acreditamos que a criação das Unidades de Conservação UC (propostas pela ONGSN) se bem conduzidas poderão criar obstáculos à ação de marginais e baderneiros, que ameaçam a segurança e tiram o sossego de quem trabalha e curti as belezas naturais do Morro dos Conventos. 

RESPOSTA AOS COMENTÁRIOS POSTADOS NO FACE: 
Em nenhum momento aventei a possibilidade de que pobreza gera ladrão e bandido, apenas segui um raciocínio estatístico de que a injusta desigualdade social é um dos fatores que mais proporcionam furtos e crimes, consequentemente pela injustiça social a que são submetidos cidadãos que trabalham honestamente e não consegue dar dignamente o que comer, educação e saúde à sua família gerando muitas vezes desequilíbrio e revolta.
Por outro lado não faço parte destas ONGs que passam a mão na cabeça de ninguém, pois não sou nenhum idiota reacionário, muito pelo contrário, luto contra baderneiros e agressores ambientais cara a cara já faz muito tempo. Este discurso moralista e pequeno burguês sobre um tema preocupante não leva a nada. Ladrões e bandidos existem em todas as classes sociais, porém existem os que roubam e matam por prazer e ganância enquanto que uma parte o faz para sobreviver. Não estou aqui defendendo ninguém que pratica qualquer ato de furto e violência, mas criticando o sistema político econômico que pratica a exploração do homem pelo homem.


OS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS DE TRUMP

     A mesma idiotice cometida pelo esnobe e abobado Donald Trump apoiando a queima de carvão mineral nos EUA, para geração de energia (na contramão da História), também ocorre de forma enrustida com o governo do Brasil, que teima em manter os combustíveis fósseis na Matriz Energética Brasileira, mesmo tendo conhecimento de todo o estrago que a exploração e queima causam aos recursos naturais e a saúde pública, além de desequilibrar a camada de ozônio, responsáveis pelas mudanças do clima no planeta...!!!
OBS. É importante registrar que existem pessoas que contestam as mudanças climáticas, mesmo com todas as tragédias resultantes da violência das águas e dos ventos, como ocorreram no sul de Santa Catarina, com enchentes catastróficas e o inédito e violento furacão Catarina.


APENAS UM SIMPLES ELOGIO A EFICIÊNCIA DA ‘’CONTATO INTERNET’’
Não sou nenhum experto ou aprendiz em informática, apenas um frequente usuário da internet pela provedora ‘’Contato Internet’’, sediada em Araranguá, mas com atuação na região sul do Estado de Santa Catarina. Uso o sinal a cabo e WI-FI com muita eficiência em todos horários e dias da semana. Quando surgem problemas de uso ou manuseio, ligo e sou atendido imediatamente via controle remoto ou presencialmente, ambos de forma eficiente e educada. Levanto a questão porque li na semana passada em algum lugar do Facebook críticas impertinentes e indevidas à empresa ‘’Contato Internet’’. Parabéns a toda equipe pelo eficiente trabalho!



12 julho, 2017

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DA HISTORIADORA JULIANA VAMERLATI SANTOS: UM OLHAR SÓCIO-AMBIENTAL DA HISTÓRIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
Programa de Pós-Graduação em História

UM OLHAR SÓCIO-AMBIENTAL DA HISTÓRIA: A trajetória do movimento ambientalista e seus conflitos com a atividade carbonífera no sul de Santa Catarina (1980-2008)
Juliana Vamerlati Santos
Florianópolis 2008

UM OLHAR SÓCIO-AMBIENTAL DA HISTÓRIA: A trajetória do movimento ambientalista e seus conflitos com a atividade carbonífera no sul de Santa Catarina (1980-2008)
Dissertação apresentada para a obtenção do título de Mestre pelo Curso de Pós Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina, sendo orientador o Prof. Dr. Waldir José Rampinelli.
Florianópolis 2008

Dedico esse trabalho a quatro pessoas que foram, são e sempre serão essenciais na minha vida: meus pais Tadeu e Kátia, meu irmão Marx e meu marido Sandro.

AGRADECIMENTOS
Certamente a concretização desse trabalho não seria possível sem a presença da minha família. Agradeço, imensamente, meus queridos pais, sinônimos de muito amor, preocupação, incentivo e confiança. Meu pai, Tadeu, acompanhou de perto toda a trajetória e foi meu mentor em cada passo trilhado. Minha mãe, Kátia, sempre minha confidente e incentivadora nas horas mais difíceis. O mesmo digo do meu amado esposo, Sandro, que durante esses anos demonstrou muita compreensão e paciência comigo, foi meu companheiro, conselheiro e orientador de todas as horas que precisei para realizar esse trabalho, principalmente na reta final. Nunca mediu esforços para ajudar, esteve sempre presente incentivando. É meu porto seguro para tudo, foi ele quem me deu forças para seguir nessa tumultuada jornada. Agradeço também ao meu irmão Marx, pelo seu apoio e entusiasmo ao meu trabalho. E aos demais familiares que me acompanharam nesse percurso, demonstrando apoio e preocupação.
Agradeço meu orientador, Prof. Waldir J. Rampinelli, por ter apostado em mim quando escolheu me orientar. Também sou grata pelo seu apoio, sugestões, correções e cobranças durante o curso. Aos professores da banca por terem aceitado participar. O Prof. João klug e o Prof. Armando Lisboa contribuíram muito com suas sugestões e comentários na banca da qualificação. Agradeço ainda o Prof. Emerson Campos por ter aceitado, prontamente, participar da banca da defesa. Não posso deixar também de agradecer o Prof. Adriano Luiz Duarte, que desde a graduação vem me acompanhando e apoiando, bem como me fornecendo ótimas sugestões, caminhos e bibliografia. A todos os amigos pela amizade e companheirismo. Em especial ao Giovanny N. Vianna, que foi durante todo o curso meu grande parceiro. Partilhamos das mesmas angústias e alegrias. Sempre esteve pronto a me ajudar e, principalmente, me acalmar em vários momentos. Ao Juan G. Fogaça, Rafael Pereira e Rafael Cunha, os amigos mais presentes na minha vida, que sempre me apoiaram no que precisei. À professora Zilda Lucca pela revisão de texto e à Cassiana Santos pelo Abstract. E por fim a todos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a realização dessa dissertação, em ordem alfabética: Antonio Pazzetto, César Spricigo, Fernando Zancan, Gilnei Fróes, Jairo Costa, João Marino, Joãozinho Natureza, Joaquim Teixeira, Milo, Nico Matiolla, Oswaldo Sevá, Padre Toni, Rogério Bardini, Susiane Formentin, Vanilda Zanette e Walterney Réus. 5 “Muita coisa não está intacta, mas a maior parte ainda é um paraíso. No meio do paraíso, uma ferida aberta, um bom pedaço de inferno: os escombros e a continuidade da atividade carbonífera.” Oswaldo A. Sevá
6 SUMÁRIO LISTA DE SIGLAS.................................................................................................................7 RESUMO.................................................................................................................................9 ABSTRACT.............................................................................................................................10 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................11 
1 - A TRAJETÓRIA DA PIRITA E DO VERDE 1.1 - O CARVÃO COMO OBJETO HISTÓRICO DO SUL DE SANTA CATARINA.........
21 1.2 - O MUNDO EM DEFESA DA ÁGUA, DO AR, DO SOLO, DA MATA.......................
33 2 - A MILITÂNCIA CARACTERÍSTICA DA PRIMEIRA FASE DO MOVIMENTO (1980-1995) 2.1 - ARARANGUÁ: RIO POLUÍDO, ONDE TUDO COMEÇOU.......................................
50 2.2 - SIDERÓPOLIS E O RASTRO DEVASTADOR DA MARION....................................
58 2.3 - TUBARÃO: TREM, USINA – PROGRESSO OU POLUIÇÃO?..................................
70 2.4 – FÉ E NATUREZA: A PASTORAL DA ECOLOGIA....................................................
82 3 - A MILITÂNCIA AINDA CONTINUA, MAS AGORA O INIMIGO É MAIS VISÍVEL (1995-2007) 3.1 – SÓCIOS DA NATUREZA: UMA TRAJETÓRIA DE PERSISTÊNCIA CONTRA O “OURO NEGRO”....................................................................................................................
89 3.2 – O ETERNO IMPASSE ENTRE A TERRA E O CARVÃO 3.2.1 - MORRO ESTEVÃO E ALBINO: UM CONFLITO, UMA VITÓRIA......................
127 3.2.3 - A ESPERANÇA NA SANTA CRUZ AINDA CONTINUA.....................................
139 3.3 – O MOVIMENTO PELA VIDA.....................................................................................
155 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................................
158 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................
162 ANEXOS.....................................................................................




28 junho, 2017

DOMINGOS BUGREIRO - Uma produção cinematográfica do sul de Santa Catarina!



Na semana passada meu filho Marx participou das filmagens de mais uma produção cinematográfica no sul de Santa Catarina, mais precisamente em Siderópolis, Criciúma e Nova Veneza, baseado no Projeto contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema 2016, intitulado "Domingos Bugreiro". 

A produção é um curta-metragem dirigido pelo cineasta Sander Hahn (Vídeo Beta), onde atua e produz juntamente o escritor Marcello Zapelini da Rosa e a participação especial do multiartista Edi Balod. O Marx Vamerlatti fez a direção de fotografia e câmera. 
Vamos aguardar!!!







21 junho, 2017

CARTA ENVIADA AO COAMA

 CARTA ENVIADA AO COAMA

Prezados

Não participarei da reunião em virtude da minha esposa estar hospitalizada na UTI da UNIMED, em Criciúma. Assim, manifesto aqui o que iria comentar com vocês se estivesse presente.
Considero esta atitude de ‘’forçar’’ a eleição no COAMA uma situação extremamente desconfortável.
Ninguém está querendo se perpetuar no poder, decidimos prorrogar a data da eleição com a anuência da plenária para evitar que uma diretoria fosse eleita antes dos novos conselheiros assumirem, porém a ‘’burocracia’’ impediu que fosse realizada no tempo desejado.
Articular uma chapa para concorrer a eleição é constitucionalmente um direito de todos, mas não da forma como foi feita com acusações levianas ao nosso trabalho que é com dedicação estritamente voluntária e atuante conforme relatos contidos em Ata. Além disso, esta postura menospreza também a instituição IFSC que, compunha junto com a ONG Sócios da Natureza, a diretoria.
Uma disputa provocativa e desafiadora está no ar, quando poderia e deveria ser escolhida uma diretoria por consenso, caracterizando harmonia e coesão no COAMA.   
Existe uma mensagem do Executivo Municipal orientando a realização da eleição após a homologação dos novos conselheiros e das novas entidades como forma de dar legitimidade ao processo, da mesma forma que existe uma carta do CREA assinada pelo ex-diretor Ivan Balthazar (Falecido) que deve ser considerada pela questão ética.
A ONG Sócios da Natureza tem uma História de derrotas e significativos avanços na busca pelo equilíbrio ecológico dos ecossistemas do Município de Araranguá (e região).  Foi a entidade idealizadora e motivadora da criação da FAMA e do COAMA, contando com a parceria de outras instituições e cidadãos araranguaenses, declara estar indignada com as atitudes tomadas pelos conselheiros, principalmente com os que chegaram agora e já almejam cargos.
Continuaremos acreditando que na continuação do processo haja obediência à legalidade de acordo com a legislação pertinente, pois nos preocupa imensamente qualquer decisão que não atenda aos princípios e aos interesses reais do COAMA!  

Att
Tadêu Santos
Coordenador Geral
 

Sócios da Natureza
Organização Não-Governamental Ambientalista

CNPJ 02.605.984/0001-60
Ofício de Registro de Pessoas Jurídicas, Araranguá - SC – Livro nº A-2, Folhas nº 039, Registro nº 364 de 18/05/1998.

ONG criada em 05 de Junho de 1980 para defender a natureza e uma melhor qualidade de vida para Araranguá e a região sul de Santa Catarina.

(Prêmio Fritz Muller de 1985 e Menção Honrosa do Prêmio Chico Mendes em novembro de 2010,
instituído pelo ICMBio e MMA)

Ocupa a presidência do Conselho Ambiental do Município de Araranguá (COAMA) e
a Coordenação Geral da Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses (FEEC), além de ser
Conselheira Representante da Região Sul do País no Conselho Nacional de Meio Ambiente CONAMA
e Conselheira do FNMA
Integra o FÓRUM INTERCONSELHOS da Presidência da República que participou do PPA 2016/2019

CONSIDERADA DE UTILIDADE PÚBLICA PELO MUNICÍPIO DE ARARANGUÁ
Lei nº 1817 de 15 de junho de 1998.

‘’trabalhando exclusivamente de forma voluntária e sempre buscando objetivos de interesse coletivo’’

Rua Caetano Lummertz nº 386/403 – CEP 88900 043 – Araranguá – Santa Catarina
Celular:  48 – 9985 0053



17 maio, 2017

SOCIOAMBIENTALISMO: E SE OS ESTADOS UNIDOS ABANDONAREM O ACORDO DE PAR...

SOCIOAMBIENTALISMO: E SE OS ESTADOS UNIDOS ABANDONAREM O ACORDO DE PAR...: OBS. Oportuno artigo do cientista pesquisador Carlos Nobre do INPE.  Que a comparação de um erro cometido por um determinado presiden...

E SE OS ESTADOS UNIDOS ABANDONAREM O ACORDO DE PARIS?


OBS. Oportuno artigo do cientista pesquisador Carlos Nobre do INPE. 

Que a comparação de um erro cometido por um determinado presidente, sirva de alerta aos defensores da poluente atividade carbonífera do sul de SC, que explora irresponsavelmente o ''carvão mineral'', com uma ganância infecciosa incontrolável, ou seja, da forma mais suja possível contaminando os cursos d’água de três bacias hidrográficas...!!!


Um crime ambiental imperdoável.


Um candidato à presidência de um país nega, durante campanha eleitoral, consenso científico amplamente estabelecido em décadas de pesquisas sérias sobre fatos de grande impacto global. Após ser eleito, mantém posição ambígua e nomeia negacionistas como altos dirigentes de seu governo. Esses dão visibilidade a uma minoria de “cientistas” negacionistas e suspendem – ou atrasam – a implementação de políticas públicas de mitigação.
A descrição caberia nas palavras, ações e intenções do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas refere-se, na verdade, ao que aconteceu entre 1999 e 2008 na África do Sul, durante a presidência de Thabo Mbeki. O dirigente sul-africano negou obstinadamente que o vírus HIV fosse a causa da AIDS e, com isso, atrasou em uma década o uso de antirretrovirais no sistema público de saúde do país.
Alguém poderia atribuir tamanho obscurantismo científico a um baixo grau de desenvolvimento de um país, com diminuta capacidade de apropriação da melhor ciência para benefício da população. Ou poderia dizer que tal postura seria típica de regimes totalitários, em que a ciência deve conformar-se à ideologia. Esse teria sido o caso, por exemplo, de Trofim Lysenko, presidente da Academia de Ciências Agrícolas da União Soviética, negando a genética mendeliana e atrasando o avanço da agricultura local entre 1920 e 1964.
Entretanto, um exemplo de obscurantismo científico no que toca à política e às mudanças climáticas acontece hoje nos Estados Unidos, país que é a grande potência científica mundial, cuja comunidade de pesquisadores é a que mais contribui para o avanço do conhecimento sobre o aquecimento global antropogênico e as mudanças do clima no planeta.
Contraponha o cenário atual ao legado do ex-presidente americano Barack Obama. Em 2015, na construção de consensos meses antes da Conferência do Clima da ONU, em Paris, os Estados Unidos firmaram vários acordos bilaterais. Um deles com o Brasil. Em junho daquele ano, os presidentes dos dois países assinaram acordo de cooperação para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. O documento estabelece, por exemplo, as metas de 33% de energias renováveis na matriz energética brasileira e de 20% de renováveis na matriz elétrica – além da contribuição da hidroeletricidade em ambas metas – até 2030. O acordo prevê também parcerias para tornar a agricultura de ambos os países mais produtiva e com menos emissões.
Se a administração Trump der as costas ao histórico Acordo de Paris, de 2015, as consequências diplomáticas serão imensas e negativas para os Estados Unidos em todas as dimensões – e numa escala muito maior do que foram as repercussões diplomáticas desfavoráveis quando George W. Bush retirou o país do Protocolo de Kyoto, em 2001, como admitido pelo próprio ex-secretário de Estado, Collin Powell. O ex-presidente chegou a dizer meses depois do ocorrido que um dos motivos para ter rejeitado Kyoto era que o protocolo prejudicava a economia americana.
Dezesseis anos mais tarde, Donald Trump volta a usar um discurso semelhante como justificativa. Mas o estilo imprevisível do atual presidente americano não permite antever se sua administração chegará ao extremo de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Inegável é que, desde que assumiu a Casa Branca, o republicano escolheu negacionistas do aquecimento global para desempenhar altas funções, um claro sinal de retrocesso no ritmo de implementação das medidas de redução de emissões necessárias para atingir as metas preconizadas em Paris, de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C.
O lado otimista da história é que o movimento mundial de desinvestimento em termoelétricas a carvão pode ser mesmo um caminho sem volta – e, então, não caberiam retrocessos. Além disso, está suficientemente demonstrado por fatos econômicos que as energias renováveis têm potencial para gerar milhões de empregos nos Estados Unidos e sua adoção em massa, longe de impedir o crescimento do país, impulsionará o desenvolvimento da gigantesca economia americana. Centenas de empresas e investidores americanos chegaram a pedir durante a campanha eleitoral que a Casa Branca não abandonasse o acordo climático, afirmando que o fracasso dos Estados Unidos em construir uma economia de baixo carbono ameaçaria a prosperidade nacional.
Mas o risco de os Estados Unidos deixarem o Acordo de Paris existe. Se isso acontecer – ou se o país colocar o pé no freio de sua implementação –, outros países já se preparam para ocupar o vácuo, principalmente China e Alemanha, projetando-se como líderes mundiais em tecnologias limpas.
Ainda que a cooperação científica e tecnológica com os Estados Unidos na questão climática, energética e agrícola seja de interesse estratégico para o Brasil, teremos que seguir adiante o curso do protagonismo que construímos em ações concretas de mitigação das mudanças climáticas. Não nos faltam desafios nessa área, como o de reduzir urgentemente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e aumentar em muito a presença das novas energias renováveis em nossa matriz energética.
O obscurantismo do presidente Mbeki custou a vida de mais de 330 mil sul-africanos, que não tiveram acesso aos antirretrovirais capazes de lhes prolongar a vida. A irresponsável cegueira do presidente Trump na questão climática poderá ter um impacto infinitamente maior e por muitas décadas ou séculos para o planeta Terra e todas as espécies vivas, inclusive o Homo sapiens, se ultrapassarmos algum limite planetário sem volta.
* Carlos Nobre é climatologista, membro da Academia Brasileira de Ciências, membro-estrangeiro da Academia de Ciências dos Estados Unidos e senior fellow do WRI Brasil

Colaboração de Suzana Lakatos, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/04/2017
"E se os Estados Unidos abandonarem o Acordo de Paris? artigo de Carlos Nobre," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/04/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/04/03/e-se-os-estados-unidos-abandonarem-o-acordo-de-paris-artigo-de-carlos-nobre/.

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02 maio, 2017

DOCUMENTO ENTREGUE AO PREFEITO DE ARARANGUÁ MARIANO MAZZUCO



Araranguá – SC, 27/04/2017.


PREZADO SENHOR MARIANO MAZZUCO NETO
PREFEITO DE ARARANGUÁ – SC

Como representante dos ambientalistas ‘Sócios da Natureza’, entidade sem fins lucrativos e de reconhecida atuação socioambiental nas últimas décadas em Araranguá, venho através deste documento colocar a vossa senhoria algumas questões de relevância relacionados a temáticas ecológicas para a sua avaliação e análise junto a sua equipe de trabalho na administração municipal de Araranguá.
Destacamos as abordagens relacionadas ao Conselho Ambiental do Município de Araranguá COAMA, o parlamento verde deste município como solicitante deste encontro enquanto presidente em final de mandato, que será considerado formalmente com uma ‘reunião extraordinária’ em um local especial com a presença do mandatário do Poder Executivo Municipal. Os temas a serem abordados constam no documento protocolado pelo Secretário Executivo Paulo Baran, com a devida aprovação dos conselheiros, do qual nós destacamos o conflito pelo inadequado uso e ocupação do Morro Azul, conforme foto em anexo.
Como segundo tema, sem ser por ordem prioritária, enfatizamos que temos muito interesse, como é de vosso conhecimento, na continuidade do decreto de criação das Unidades de Conservação (UC), historicamente assinados pelo ex-prefeito Sandro Maciel no final de 2016.
Reconhecemos que o Projeto Orla viabilizou a criação das UCs e contribuiu com princípios e diretrizes ao Plano Diretor, no entanto, queremos aqui deixar claro de forma cartorial que não apenas a ideia, mas os mapas utilizados foram baseados nos estudos elaborados pela consultoria Socioambiental e patrocinados pela AMESC, que na ocasião mantinha o FDESC, do qual a ONGSN era a coordenadora do meio ambiente e propositora das UCs da região sul. A proposta das UCs tinha o objetivo de conseguir recursos financeiros das medidas compensatórias da obra de duplicação da BR-101 para os ecossistemas impactados no trecho Araranguá / Passo de Torres, que não obtivemos apenas por questão de prazo.      
     Na última viagem a Brasília no dia 15/03/17 para participar da 124 Plenária do CONAMA, para debater/lutar pela aprovação da nossa proposta de MOÇÃO DE APOIO À RECICLAGEM, cópia em anexo, tivemos a oportunidade de conversar pausadamente com o deputado Esperidião Amin, desde lembranças passadas sobre Praia Grande, a polêmica sobre acesso ao aeroporto Hercílio Luz, o movimento pelo contorno da 101 em Araranguá, mas o que mais o fascinou foi a criação das Unidades de Conservação (UC) do Morro dos Conventos, como o primeiro ‘’Monumento Natural do Estado de Santa Catarina’’ e da APA de Ilhas.
Caro Mariano, sabes que sou politicamente apartidário e assim sempre serei, porém ainda acredito nas pessoas e as colocações do Amin deixaram-me entusiasmados com a promessa de obter recursos via emendas parlamentares para o custeio dos Planos de Manejo das três Unidades de Conservação (UC). Ao final da reunião o ex-governador enfaticamente me cobrou que não esquecesse de falar com o prefeito Mariano para mandar um projeto ao seu gabinete solicitando o recurso para viabilizar as UCs de Araranguá.
Como é de vosso conhecimento a decisão do TRF4 nos surpreendeu em determinar a proibição do trânsito de veículos automotores na praia, entre o Morro dos Conventos e a Foz/Barra do Rio Araranguá. Havíamos, na época, ano de 2012, solicitado ao MPF mais rigor com os baderneiros, mas a justiça entendeu como única forma de acabar com a baderna das festas raves que estavam dominando a orla marítima com intensa poluição de lixo jogado na natureza, de som automotivo extrapolando os decibéis permitidos, de competição de carros e motos no local que não é apropriado para tais manobras perigosas, tanto que os caminhantes reclamavam do perigo, além de outras drogas pesadas em todo o trecho. Assim  decidiram não mais permitir o trânsito de veículos, com exceção dos autorizados pela FAMA.
Houveram reclamações, mas os benefícios desmontou a opinião de muita gente, pois o local ficou mais seguro e voltou a haver equilíbrio ecológico para a vida marinha local, como também para as aves migratórias. Entendemos que se faz necessário urgentemente um programa de adaptação para a mobilidade nesta área de intenso valor eco turístico, que pode e deve ser através dos planos de manejo, uma forma democrática e legítima de regulamentar o uso e ocupação das áreas, sejam do Morro dos Conventos quanto do Morro Agudo e de Ilhas.
Através de um recurso do fundo CASA conseguimos implantar um projeto de painéis ecoturísticos na Orla de Araranguá, conforme fotos em anexo. A parceria foi realizada com o Grupo de Estudos Geoecológicos da Costa de Araranguá e que se não fosse a intransigência de uma das integrantes, o Projeto de Roteiro Geoecológico poderia ter ficado bem melhor e mais atrativo.
Por último reivindicamos a convocação do ‘’Conselho das Cidades’’ baseado na Lei 10.257/01, que rege o Estatuto das Cidades, pois é inconcebível a omissão da prefeitura em implantar este instrumento legal, participativo e inovador para acompanhar o desenvolvimento do Plano Diretor de Araranguá.
E para finalizar solicitamos sua atenção quanto a implantação da escultura conforme desenho em anexo, simbolizando a conquista do contorno da rodovia BR-101 em Araranguá, a ser implantada no trevo Becker.
Atenciosamente
Tadêu Santos
Coordenador Geral

Araranguá – SC, 27/04/2017

Sócios da Natureza
Organização Não-Governamental Ambientalista
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