04 dezembro, 2008

ESTADO DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA EM SANTA CATARINA

VOLTAMOS A IMPLORAR A DECRETAÇÃO DE ‘’ESTADO DE EMERGÊNCIA (E CALAMIDADE) CLIMÁTICA’’ EM SANTA CATARINA. PRIMEIRO ALERTA FOI POR CAUSA DAS OCORRÊNCIAS CLIMÁTICAS NO SUL DE SC. CONFORME RELATO ABAIXO E AGORA A TRAGÉDIA NO NORTE DE SC.



Esperamos não estarmos constatando mais um oportunismo político sobre a desgraça do povo Barriga Verde e da destruição da natureza. Durante o flagelo do furacão Catarina foi a mesma coisa: as necessárias e bem vindas ajudas humanitárias aos afetados ambientais porém junto vieram governantes e políticos empenhando-se de olho nas campanhas eleitorais. Até degradadores ambientais como desmatadores e carboníferos se aproveitam nestes momentos com doações às vitimas .

Estudiosos alertam na mídia sobre medidas preventivas para reduzir o impacto das cheias, por exemplo, mas coincidentemente o atual Governador do Estado de Santa tenta aprovar uma lei denominada de Código Ambiental, objetivando agradar o setor agrícola da monocultura e madereiro, acabando com as APPs, como reduzindo a mata ciliar para cinco metros e permitindo desmatamento nas encostas.

As causas que provocam a ocorrência de fenômenos naturais podem ser várias, porém o homem está intensificando a freqüência das mesmas tornando o ambiente vulnerável a impactos cada vez mais devastadores, com desmatamento, queimadas e a queima de combustíveis fósseis.

Coincidentemente após o início do processo de queima de carvão mineral pela usina termelétrica Jorge Lacerda, em meados de 1965, no município de Tubarão, sul de Santa Catarina, ocorreu em 1974 a enchente com maior
número de mortes do país, pois só em Tubarão foram registrados 199 mortos, mas ocorreram mortes também na Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá e do Mampituba. Em 1983 ocorreu em Blumenau (Bacia do Itajaí) uma tão violenta quanto à de Tubarão com 49 mortes e prejuízos incalculáveis. Na noite de Natal de 1995, em questão de poucas horas, 29 pessoas perderam a vida por causa de uma trombada d’água nas encostas dos Aparados da Serra, na localidade rural de Figueira, Timbé do Sul, na Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá. Agora volta a ocorrer, talvez a mais violenta de todas, com quase 150 mortos e estragos incalculáveis na Bacia
do Itajaí.

As citadas bacias hidrográficas estão localizadas entre a Serra Geral e o Oceano Atlântico numa distância média de 40 a 60 KM de largura, enquanto que entre a Bacia do Itajaí e a do Mampituba deve haver aproximadamente 350 KM de distância em linha reta, sendo que no centro encontra-se a poderosa Jorge Lacerda com seus 856MW instalados emitindo gases dia e noite sem parar há 43 anos. Estes gases emitem CO² que contribuem com o aquecimento global e outros gases como NO² e SO² que causam a chuva ácida, como também podem causar evaporação quando encontram frentes frias.

Agora vejam o depoimento de um blumenauense no domingo do dia 23 durante o início da tempestade e depois leiam o alerta do cientista Ernani Sartori da UFP.

OBS. Óbvio que grandes enchentes ocorreram antes da instalação da Jorge Lacerda, como a de 1962 na Bacia do Mampituba, a de 1948 na Bacia do Araranguá e a de 1911, em Blumenau, na Bacia do Itajaí.
Tadeu Santos
----- Original Message -----
From: Clic
To: tkane@contato.net
Sent: Sunday, November 23, 2008 11:20 PM
Subject: Enchente em SC

Olhem so esse relato:
Agora são exatas 20,41 horas e desde as 19,37 chove torrencialmente em Blumenau, com uma intensidade inacreditável. O que já estivesse perigando, com a pancada de agorinha certamente deslizou grotões baixo.
Enchentes - estamos acostumados a sofrer, mas delúvio com tamanha concentração de água, nos meus quase 72 anos de vivente jamais vi, nem mesmo parecido. Parece-me sentir um cheiro de enxofre e ácido nítrico na água da chuva - o que seria isto?
E agora continua chovendo cântaros. Rádios locais todas fora do ar. Ouço grandes árvores - figueiras seculares desabarem com estrondo na floresta do morro fronteiro à minha casa -certamente o terreno deslizou.
Recuperar Blumenau, se ainda valer a pena, vai ser muito difícil - levará anos.
Não estou exagerando - é algo fantasticamente supra real - parece até ficção a força da correnteza nas valadas, ribeirões agora são rios e caminhos são cursos de correntes, todos com catadupas, cujo baraulho é ensurdecedor.
Que a NATUREZA se apiede de nós neste VALE DE LÁGRIMAS.
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Não sei até qdo. poderei dispor de energia elétrica e computador.
Fico por aqui.
Niels Deeke, em Bl'au

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Olá Tadeu

Este relato é tenebroso e fantástico ao mesmo tempo, pois apesar de tantos problemas, vê-se, porem, a perfeita comprovação das minhas teorias de que sao as termoelétricas (e em SC e RS apareceram muitas) que jogam no ar os elementos que provocam tais odores e catástrofes.
Tadeu envia o relato do Niels (talvez com o meu parágrafo abaixo junto) para toda a mídia, ela vai fazer censura, mas que fique sabendo que a vida da internet está atenta e talvez alguma deixe escapar alguma coisa. É importante enviar isso para toda a internet também.
Escrevi o texto abaixo e o publiquei em alguns jornais em 1996 e o artigo intitulado USINAS TERMOELÉTRICAS CAUSAM MUITOS DANOS AO AMBIENTE E AO PAÍS foi publicado em 2000 no site www.aondevamos.eng.br/verdade
"Além do problema da elevação da temperatura ambiente, a queima de combustíveis fósseis libera certos óxidos, como o NOx e o SO2, que por sua vez se transformam na atmosfera em poluentes secundários como o ácido nítrico e o ácido sulfúrico, ambos facilmente dissolvíveis em água. Os ácidos também podem se transformar em sais de enxofre e de nitrogênio e estes ácidos, então, podem se precipitar através da chuva (conhecida como chuva ácida), neblina ou neve. Os danos dessa chuva podem ser causados em florestas, plantações, lagos, peixes, prédios, água de abastecimento, carros, pessoas, etc, e, com o aumento da acidez da terra, os recursos de alimentação e produção diminuem".

Abraços e obrigado pelo e-mail

Sartori.
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PRIMEIRO ALERTA LANÇADO PELA ONGSN NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2008.

ESTADO DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA



Rogamos ao governo mais atenção à região sul de Santa Catarina e desafiamos as universidades sul brasileiras a elaborar um profundo estudo sobre a intensa ocorrência de fenômenos e adversidades climáticas, resultantes da mudança de clima, que historicamente ocorrem nesta planície, situada entre o oceano Atlântico e os Aparados da Serra Geral. Considerando todos os estudos científicos, pesquisas, catástrofes e o descongelamento de geleiras no ártico, ou seja, o despertar da humanidade para com a resposta da natureza as brutais agressões que o homem tem causado aos recursos naturais. Considerando que não são mais apenas os ambientalistas e ONGs que alertam para um possível caos ecológico, agora são renomados cientistas e a poderosa ONU, que anuncia problemas socioambientais como conflitos pelo uso da água e catástrofes ambientais. Agora é Al Gore, um dos homens mais influentes do mundo que abraça a causa ambiental e o Banco Mundial raciocina que é mais lucrativo deixar de produzir 1% do PIB mundial agora, do que amargar com 20% de prejuízo numa expectativa de 15 a 20 anos.
A região sul de SC, em 1974, foi surpreendida com uma das maiores enchentes do Brasil, senão a maior, pois vitimou mais de 250 pessoas, com prejuízos imensuráveis para o poder público e população. Outras enchentes causaram pânico, destruição e mortes como a da noite de Natal de 1995, que arrastou 29 pessoas para a morte, devido à intensidade da precipitação pluviométrica nas encostas dos Aparados da Serra Geral. (Depoimentos de colonos afirmam que o choque entre duas nuvens fez com que caíssem inteiras). Conforme dados da Defesa Civil de Araranguá, ocorreram cheias significativas no rio Araranguá também em 1998, 2000, 2002 e agora em 2008.
Na seqüência, ocorreram os tornados de 2005 e 2007, mais precisamente em Criciúma e Tubarão, provocando estragos consideráveis a população atingida. Mas o fenômeno que realmente surpreendeu foi o furacão Catarina no início da madrugada de 28 de Março de 2004, com uma violência indescritível em relação à ocorrência de ventos com chuva. Não precisamos aqui citar os dados do inédito ‘’Catarina’’, pois está na memória de todos e consta em todos sites relacionados à temática do clima.
O que nos preocupa também é a estranha coincidência de um fenômeno iniciar em alto mar do Rio de Janeiro vir ‘’escolher’’ em toda imensa costa do Atlântico Sul, a região do sul de Santa Catarina como epicentro, a que justamente mais emite CO² pela queima do carvão – o combustível fóssil responsável pelo desequilíbrio do efeito estufa, que resulta nas mudanças climáticas. Por sua vez a ocorrência do ciclone extra tropical na região sul de SC também assusta, já que o professor Ernani Sartori (Universidade Federal da Paraíba) defende a tese de que existe a tendência de ocorrência de fenômenos climáticos em regiões potencialmente emissoras de gases efeito estufa, como ocorre na região sul dos EUA, onde também existem muitas usinas termelétricas queimando combustíveis fosseis.
Os dados citados são comprobatórios e idôneos, quaisquer dúvidas consultem a Defesa Civil de Araranguá ou do Estado de Santa Catarina. Outros dados e informações podem ser obtidos no Departamento de Geociências da UFSC. Nos Blogs da ONG Sócios da Natureza constam muitas informações sobre os conflitos socioambientais e a poluição causada pela atividade carbonífera da região sul de Santa Catarina - uma das 14 áreas mais críticas do país de acordo com o decreto federal nº 85.206/80.

OBS. Em face da situação exposta não seria de decretar Estado de Emergência Climática?

Sócios da Natureza – ONG criada em 1980 para defender a natureza e uma melhor qualidade de vida para o sul de Santa Catarina, de forma estrita e comprovadamente voluntária.

sociosnatureza@contato.net
www.tadeusantos.blogspot.com / www.sociosdanatureza.blogspot.com
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As vítimas da tragédia, por Germano Woehl Junior *

Nunca, como agora, foi tão óbvio perceber o quanto Santa Catarina depende da natureza preservada para o seu desenvolvimento. Essa tragédia nada mais foi do que uma das conseqüências de avançarmos o sinal vermelho. A cada dia devastamos mais a mata atlântica, ignorando os limites da sustentabilidade.

Em pouco mais de uma década, esta é a segunda chuva intensa que atinge nosso Estado, derretendo montanhas inteiras e assoreando grandes extensões de vales com solos estéreis. O aguaceiro de 1995, na Serra Geral, que atingiu os municípios de Jacinto Machado, Timbé do Sul e Siderópolis, fez menos vítimas porque ocorreu numa região pouco habitada.

As vítimas decorrentes dessa exploração predatória dos recursos naturais e da ocupação inadequada dos morros e encostas com plantação e construção de casas não foram apenas as pessoas soterradas nos desmoronamentos. Mas também nossas crianças e quem ainda vai nascer. Elas herdarão esse território cada vez mais arrasado, sem opções de uso e tão perigoso quanto um campo minado até para passeios nos finais de semana.

Observem nas imagens dessa última tragédia quanta área de agricultura e solo foi perdida para sempre em Ilhota, Gaspar e Luís Alves. É exatamente isso que estamos deixando para as gerações futuras, que certamente não terão a quem recorrer para pedir socorro. Está aí a prova inequívoca de que a ocupação que estamos fazendo não é sustentável.

Registros do passado revelam que esse fenômeno de chuvas intensas é recorrente em nosso Estado, mas tem sido cada vez mais devastador em número de vítimas e prejuízos materiais à medida que avançamos com nossa ação predatória sobre as áreas preservadas, aniquilando com milhares de espécies de plantas e animais e acabando com os recursos hídricos. Só em Santa Catarina conseguimos destruir mais florestas nativas nas últimas décadas do que em toda a Europa em mais de dois mil anos. E, agora, assim como os europeus, estamos pagando um preço muito alto por isso.

A prosperidade de nosso Estado está fortemente ameaçada com essa rotina de catástrofes ambientais devastadoras. Tudo é conseqüência do fato de que cada geração entrega para a seguinte um meio ambiente mais arruinado do que encontrou. Já é hora de nossa geração começar a interromper esse processo cujo final será inevitavelmente o colapso.

Aprendemos muito com as tragédias dos últimos 150 de anos de ocupação cada vez mais intensa das planícies e dos morros recobertos de mata atlântica. Baseando-se nessa experiência acumulada, a sociedade brasileira criou leis ambientais, como o código florestal, justamente para evitar essas tragédias. Contudo, temos desrespeitado essas leis achando que são entraves para o desenvolvimento, quando, na verdade, foram feitas para salvar as nossas vidas e proporcionar as condições para o verdadeiro desenvolvimento sustentável.

Devemos fazer a lição de casa e tratar a natureza com respeito ou ficaremos a cada temporal pedindo socorro para o Brasil inteiro como se não tivéssemos culpa pelo castigo. Somos vítimas de nós mesmos. Podemos reconstruir nossas casas quantas vezes forem necessárias, mas a natureza, da qual nossas vidas dependem, não. A destruição é para sempre.

germano@ra-bugio.org.br
* Físico e ambientalista



Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
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Jaraguá do Sul - Santa Catarina CEP 89256-140
Tel. (47) 3274-8613
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Um desastre acima de todas as previsões
Volume de chuva do final de novembro no Vale do Itajaí foi o segundo maior já registrado no Brasil

Os meses de outubro e novembro registraram o que os cientistas e pesquisadores em climatologia chamam de "evento anormal".

A se manter a lógica, um próximo desastre de proporções semelhantes só acontecerá daqui a 300 anos. Contra todas as previsões, em 61 dias do bimestre, 49 foram chuvosos.

Os morros encharcaram e, nos dias 22 e 23 de novembro, uma precipitação inacreditável castigou o Vale do Itajaí. Ribeirões transbordaram, o Rio Itajaí-Açu invadiu cidades e as encostas vieram abaixo.

Em dois dias, choveu 494,4 milímetros. Foi o segundo maior volume já registrado na história do Brasil, atrás apenas da cidade de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, onde choveu 580 milímetros nos dias 18 e 19 de março de 1967, causando mais de 120 mortes.

Até sexta-feira, a Defesa Civil contabilizava 126 mortos em Santa Catarina, sendo 107 no Vale do Itajaí. Em busca de explicações, pelo menos seis grupos de estudos já foram criados no Sul do país para entender o que houve e prevenir futuros desastres.

- Em julho, as previsões eram de que os meses de primavera seriam com chuvas amenas e, a partir de novembro, teríamos um período de seca. O que aconteceu foi o oposto - surpreende-se o professor de Física da Universidade Regional de Blumenau (Furb) e meteorologista Dirceu Severo.

- O comportamento do mar e do oceano é muito importante para saber o que vai acontecer com o clima. Mas hoje se tem pouca ferramenta pra saber sobre a previsão climática. Não conseguimos enxergar com qualidade o que vai acontecer daqui a um mês. Aí, podem ocorrer furos - observa Leandro Puchalski, da Central RBS de Meteorologia.

Satélites detectaram pouca água nas nuvens

Na semana que antecedeu o sábado da tragédia, os satélites informavam que as nuvens estavam com pouco volume de água. Dia 22, quando 243,5 milímetros de chuva caíram sobre o Vale do Itajaí, a informação do satélite permanecia a mesma.

O meteorologista Marcelo Martins, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Ciram), explica:

- Das 8h às 12h de 22 de novembro choveu 100 milímetros, que era a previsão para o dia todo.

Os desastres naturais de Santa Catarina são tema de um atlas lançado em 2006 pelo governo do Estado. O documento registra e analisa os casos gerados por adversidades climáticas entre os anos de 1980 e 2003.

Inundações, estiagens e tornados estão catalogados no atlas organizado pela professora Maria Lúcia de Paula Herrmann, do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com a tragédia de novembro, ela adianta que o documento precisa ser atualizado.
Blumenau
Brilha, Santa Catarina
A chuva, durante o mês passado, foi a maior que já caiu sobre Blumenau e as cidades vizinhas em toda a história do Estado. Ela alagou ruas e derrubou morros sobre algumas casas. As pessoas que estudam o clima não conseguiram descobrir com antecedência que tanta água cairia do céu em tão pouco tempo.
Foi um fato triste, porque muita gente ficou sem ter onde morar e outras morreram. Agora, os cientistas vão se reunir para entender o que aconteceu e descobrir como evitar que a chuva novamente surpreenda as pessoas.
Fatores que contribuíram

AUSÊNCIA DE SINAIS TÍPICOS
Nos dias 21, 22 e 23 de novembro não houve registro de descargas elétricas, raios, trovões, granizo ou ventos fortes em Blumenau. Esses fenômenos são característicos de nuvens carregadas de umidade e poderiam indicar que haveria enxurrada e enchente no Vale do Itajaí
Muita chuva
Nas últimas quatro décadas, o volume de chuvas em Blumenau aumentou 160 milímetros por ano. É como se tivéssemos ganho um mês a mais de chuvas. Em outubro e novembro deste ano, choveu em 49 dias sobre o Vale do Itajaí. Nos dias 22 e 23 do mês passado choveu mais que o dobro da média histórica mensal. A terra, já encharcada, não suportou tanta água em tão pouco tempo
VENTOS
A constância de ventos vindos do Oceano Atlântico deixou o Vale do Itajaí com maior carga de umidade e frente fria. As nuvens carregadas de chuva estacionaram sobre a região
DESMATAMENTO
A ocupação de encostas e a retirada de plantas e árvores nativas desestabilizaram o solo dos morros. Se a vegetação nativa é mantida, a sustentação dessas áreas é maior. Plantação de pinus e bananeiras nas encostas desfavorecem a absorção da água da chuva que encharcou o solo, facilitando os deslizamentos
SOLO
Na região do Morro do Baú, onde ocorreram mais mortes por soterramento, o tipo de formação da rocha contribuiu para os deslizamentos. Lá, a rocha se degrada facilmente. Com as chuvas intensas, a espessa camada de solo sobre a rocha nas encostas contribuiu para os deslizamentos
AQUECIMENTO GLOBAL
Os cientistas são céticos quanto à influência do aquecimento global sobre a tragédia ocorrida no Vale. Para eles, ainda é cedo para relacionar os assuntos
MARÉS
Sábado, enquanto Blumenau registrava a segunda maior incidência de chuva da história do país, as praias sofreram o efeito de três fenômenos simultâneos, relacionados a marés. Essa coincidência foi responsável por represar água na foz do Rio Itajaí-Açu, em Itajaí. Além de provocar enchente no Litoral, aumentou o nível de água nos afluentes, impedindo o escoamento de água nos municípios de Brusque, Ilhota, Gaspar, Luiz Alves e Blumenau
Maré meteorológica - fenômeno que ocorre com a variação da pressão atmosférica e a troca constante de umidade entre vento e oceano, causando níveis mais baixos ou mais altos da maré. Nesse caso, foram registrados níveis mais altos
Maré astronômica - são os movimentos de subida e descida das marés, causados pela ação gravitacional da Lua e do Sol. Produziu um nível do mar acima do normal para o período
Maré de Sizígia - ocorre a cada 15 dias, entre a Lua Cheia e a Lua Nova. Caracteriza-se por elevar as marés altas ou diminuir as marés baixas. Dia 22, a maré alta foi elevada
Fontes: Antonio Carlos Beaumord, coordenador do Laboratório de Estudo do Impacto Ambiental do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar) da Univali; Marcelo Diniz Vitorino, engenheiro florestal e coordenador do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) da Furb; Luis Fernando Pedroso Sales, engenheiro civil, mestre em Geotecnia e integrante da
Associação Brasileira de Mecânica dos Solos.
Para entender a catástrofe

Pelo menos seis grupos de estudo já foram criados para analisar o efeito devastador da chuva de novembro sobre o Vale do Itajaí:
Grupo Técnico Científico: criado pelo Estado para identificar as causas do desastre em Santa Catarina e propor medidas preventivas que orientem políticas públicas. O grupo será oficialmente lançado quarta-feira, em Blumenau. Fazem parte: Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, UFSC, Unisul, Univille, Furb, Udesc e Univali. A coordenação técnica caberá a Hugo José Braga, da Epagri/Ciram, e Zenório Piana, diretor de Pesquisa Agropecuária e Meio Ambiente da Fapesc
Estudo de Mudanças Climáticas no Sul do país: os objetivos são elaborar cenários de mudanças climáticas, estudar impactos, avaliar os regimes hídricos em bacias hidrográficas com diferentes ocupações do solo e desenvolver sistema de classificação de origem e tipo de vórtices ciclônicos. A Furb vai coordenar os pesquisadores de oito instituições do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Brasília
Instituto de Geologia: se foi aprovado pela Câmara de Vereadores de Blumenau, o instituto vai estudar as características do interior e da superfície dos solos, entender problemas ambientais e estabelecer critérios para evitar que tragédias como a de novembro se repitam
Centro de Operação do Sistema de Alerta da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu (Ceops): tem como atribuições diagnosticar a previsão do tempo, monitorar os níveis do Itajaí-Açu, elaborar laudos técnicos e estudos dos sistemas meteorológicos que atuam no Sul do Brasil. O corpo técnico do Ceops, ligado à Furb, está produzindo artigos científicos baseados na tragédia. Ainda não há data para publicação
Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar/Univali): pesquisa fenômenos climáticos, a vida dos animais e saúde da terra na nossa região. No centro funciona o Laboratório de Estudo do Impacto Ambiental, que também se dedica a entender as conseqüências da chuva de novembro sobre o Vale do Itajaí
Grupo de técnicos e geólogos da UFSC: estão analisando os motivos que levaram aos deslizamentos na localidade do Morro do Baú, em Ilhota. Participam também técnicos de São Paulo e da Univali, de Itajaí
diario.com.br
Veja o atlas sobre fenômenos climáticos em Santa Catarina




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TRAGÉDIA BLUMENAU VALE DO ITAJAÍ

Relato de uma vítima da região do Belchior
NÃO MERECEMOS ESTE TRATAMENTO!

Vamos encaminhar este relato para o maior número de pessoas, é uma forma de chegar ao conhecimento de nossas autoridades. Na minha opinião a axplosão do gasoduto não mexeu só com o Belchior e sim com toda a região inclusive Blumenau.

Quem vai pagar a conta agora? O POVO OU OS DONOS DA EXPLORAÇÃO DO GÁS NO BRASIL!

Não me surpreende a não divulgação dos responsáveis, existe muito interesse financeiro, que há muito tempo é mais valorizado que as vidas humanas.

É MAIS FÁCIL COLOCAR A CULPA NA NATUREZA E DEIXAR O POVO EM UMA SITUAÇÃO DE HUMILHAÇÃO SEM SUAS CASAS.

Resido no bairro Belchior Alto que está extremamente destruído. Foi atingido por uma enchente e desmoronamentos na madrugada de sábado dia 22 de novembro.

Infelizmente na madrugada de domingo, com o bairro isolado sem telefone para pedir socorro a desgraça foi muito pior. A enchente e os desmoronamentos vieram com força maior. Lugares que nunca pegaram enchente estavam com correnteza forte, a água tomou conta de tudo. Fendas enormes se abriram nas estradas, morros desabando, muros das casas, creche e escola levados pela força da água, árvores caindo em construções, destruição total. Uma grande desgraça. Neste meio tempo acontecia a explosão do gasoduto.

Na madrugada de sexta para sábado houve uma explosão do gasoduto em um trecho da Br 470 em Gaspar, que vi no noticiário.

Mas parece que isso não foi o bastante para averiguarem a situação do gasoduto da região. Pois uma outra explosão muito maior começou às 21:10 horas de domingo dia 23 quando a noite virou dia, a 10 km de distância se via um clarão gigantesco que se abriu no céu, seguido de um barulho de explosão que apenas as 12:30 começou a diminuir e só terminou as 4 horas da madrugada do dia 24. As casas que estavam a 10 km de distância sentiam a terra tremer conforme a explosão acontecia. Era muito assustador. A explosão aconteceu de 2 a 3 km de distância do parque aquático recanto verde onde as pessoas que residiam ali perto não tinham onde se refugiar, estavam isolados sem estrada, então saiam de casa e ficavam na chuva para se refrescar pois o calor era muito grande. Segundo relatos o gás sufocava-os.

A explosão mexeu com os morros das redondezas já frágeis pela quantidade de água já sugada. Com certeza isto proporcionou as desgraças, desabamentos de morros, mortes, desaparecimento de pessoas... Como aconteceu no Baú, Arraial, Rua Nova Biguaçú no Belchior...

Acredito que o número de mortos é muito superior ao que estão divulgando. Em vários lugares aqui perto sabemos de corpos achados já velados e não divulgados.

Gostaria que pelo menos ao invés de reconstruírem tão precipitadamente este gasoduto, que salvem estas pessoas feridas em hospitais que precisam de ajuda. Sejam as isoladas, em perigo ainda, ou aquelas quebradas em hospitais esperando serem atendidas. Um exemplo é o hospital de Itajaí que dia 27 quinta feira quando meu tio falou com um de seus funcionários que relatou sua situação. O hospital estava sem água, a sala de cirurgias não estava funcionando, com várias pessoas esperando serem atendidas.

O funcionário Nildo do Beneficiamento de Arroz Belchior, relatou desolado sua situação, estava no hospital de Itajaí com uma perna fraturada em dois pontos e a outra trincada. Ele conseguiu sair de casa se arrastando com seu filho e sua mulher Tânia, sua sogra não conseguiu se salvar ficou na casa destruída pelo desmoronamento.

Não entendo, depois dessa explosão gigantesca que causou este gasoduto, ainda estão reconstruindo... Sendo que já fez uma destruição gigantesca. É uma ameaça ao povo da região. Não sabemos em que ponto ele pode explodir novamente.

Peço encarecidamente que percebam a gravidade desta situação. Nenhum noticiário está divulgando detalhes e motivo real desta explosão.

Isso não pode continuar!

Sds Jucélio Simão


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07.12.08
segunda parte - DESLISAMENTOS POR QUE ACONTECEM
categorias: EDUCAÇÃO AMBIENTAL
continuação DESLISAMENTOS POR QUE ACONTECEM
A EPAGRI continua anunciando o tempo em SC. Nos noticiarios de TV em SC informa a temperatura e as chuvas sem grande precisão. Mas não faz nenhuma referencia sobre o indice de enxarcamento do solo nos municipios que estão dentro dos vales na região litoranea que esta carregando seus solos de maneira preocupante.

Tambem não informa a partir de Outubro de 2008, a situação da umidade do solo agricola do Oeste Catarinense onde a estiagem ocorre sintomatica ha 5 anos, suspeitando-se de um fenomeno ligado às mudancas do clima.

Em outubro de 2008, a situação deveria preocupar o Governo de Luiz Henrique. Mas viaja muito. Esta sempre preocupado em mudar a Leis ambientais de SC - tentando flexibilizá-las. Quer um codigo florestal bem ao gosto dele, para entrar nos rios, manguezais, restingas e impedir reservas de Fauna e Parque biologicos. Tem alegado fossiferendo que são instrumentos legais que "só atrapalham" os seus bilionarios planos desse governador viajante e amigo de empresas estrangeiras, como tambem amigo da cultura estrangeira (Balet Bolshoy) entre outros apetites e negócios que pouco tem a ver com o povo de SC.

Sabe-se que o mar está mais aquecido ( informação que tambem a EPAGRI do Clima nunca informa) o que provoca evaporação além do normal. Ferve como um chaleira ao fogo. Isto faz com que a atmosfera recebesse bilhões de metros cúbicos de água a cada instante subindo do mar.

Uma grande massa de atmosfera estacionada a meses sobre o litoral catarinse norte, promove a ocorrencia de chuvas sem trovões, sem ventos fortes, chuva fina que vai engrossando e se torna tromba d'água.

As lestadas, que são correntes atmosfericas que sopram do leste para o Litoral, vão se prolongando de forma irritante. O sol não aparece mais.

A agricultura passa a ter grandes baixas pela falta de calor, sol e água em excesso.

Estamos na ultima semana de Novembro de 2008.

ACONTECE O PIOR DAS CATASTROFES



Junto com as águas que fazem os rios sair das caixas e alagar os fundos de vale, vem árvores, casas desabadas, barro, muita lama que vão engrossando e erodindo tudo o que encontram pela frente.

Continua chovendo, mujito além das estatísticas dos últimos 100 anos.

A contabilidade de flagelados ambientais desta vez é muito grave. Gravíssima. Agoram além das enchentes, o pior aconteceu.

Casas alagadas, depois que as águas baixam, são lavadas, pintadas, moveis novos são comprados e aos poucos tudo volta ao normal.

Mas desta vez, foi como num terremoto categoria 6. As encostas derreteram e trouxeram tudo com o barro, águas, canos, tubulações de gas da Bolivia, gado animais domesticos, pessoas - familias inteiras desaparecidas.

Lama movediça impede a Defesa Civil de fazer socorro. Não ha mais estradas. As casas sumiram. Os rios mudaram de lugar. Carros, tratores e caminhões, além de pequenas industrias, desapareceram .......

O cáos foi e esta sendo significativo, de modo especial os amigos do partido do GOVERNADOR Luiz subestimaram a situação de campo, que foi tão somente mostrada pela imprensa, pois a incompetencia do Governo de SC foi total e vergonhosa.

As pessoas que perderam casas, roubas, familias, fabricas, local de trabalho, passam fome e irão penar por muitos meses nas mãos do Luiz.

O que o Luiz anda preocupado é com as verbas que virão de todos os quadrantes do País e do Planeta.

O que preocupa os flagelados ambientais é com o destino desse gigantesco dinheiro. Se com licitações controladas pelos agentes do MP, TC entre outros, ainda escapava uma montanha, imaginem, com decretação de calamidade publica náo haverá controle algum.

Esse dinheiro não chegará aos flagelados ambientais, pois a bossalidade hegemonica do imperador uma semana depois do desastre ambiental ter completado 7 dias, a Defesa Civil ( policia militar de SC) informa que náo querem mais alimentos, roupas e água. Náo sabem mais o que fazer com a generosidade e solidariedade do povo brasileiro. Disseram para o mundo que os 5 postos de arrecadação estavam cheios.

O BRASIL tremeu.........................

Senhor meu Deus, o que andam fazendo as autoridades catarinenses?

Os descaminhos, a insensatez, a falta de compromisso com o povo fez e continuará fazendo mais vitimas que as provocadas pelos deslizamentos.

Continuem assistindo esse filme, que ainda não acabou.



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deslisamentos - por que acontecem
categorias: EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Vamos mostrar aqui como aconteceram os deslisamentos em SC

Assim estavamos em Julho de 2008. O veranico de maio - que geralmente ocorre em SC, não aconteceu. Continua chvendo - de vez em quando - o que vai enxaracando o solo.
A EPAGRI, entidade que divulga e pesquisa o tempo em SC, nunca oferece o teor de umidade do solo e do nivel de agua depositado nas copas das árvres dentro das bromelias. Não tem esse cuidado.

Estamos em agosto. Continuava chovendo..... O solo começa o seu processo de saturamento. A EPAGRI, não tem o costume e a técnica de medir a umidade do solo catarinense menos ainda nas encostas.
E não informa de jeito algum o índice de saturamento por água dos solos nas regiões de pendentes ingremes, sujeitas a deslisamentos. Não o faz, apesar de acontecimentos registrados em diversas regiões montanhosas em SC em decadas anteriores. Insiste em não aprender as lições.
A EPARGI tambem não comunica ao agronegócio de SC menos ainda às defesas civis da cidades com áreas de risco de deslisamentos, os índice de enxarcamento do solo.
A EPAGRI não informa sobre o nivel do Lenços freático nas regiões do Estados. O Governo foi beneficiado com generosas verbas do MICRO BACIAS II, uma renovação de remessa de revuros generosos enviados por paises preocupados com a gestão de bacias. Estão trabalhando nesse que é o maior programa brasileiro de micro bacias, mais de 700 engenheiros agronomos e tecnicos agricolas e florestais.
CONTINUA CHOVENDO EM AGOSTO,
SETEMBRO, OUTUBRO E NOVEMRO DE 2008.
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06.12.08
APOIO A OBRAS PREVENTIVAS DE DESASTRES -
categorias: EDUCAÇÃO AMBIENTAL
APOIO A OBRAS PREVENTIVAS DE DESASTRES -
Atuação preventiva, anterior à ocorrência do desastre

FUNCIONAL PROGRAMÁTICA: 1027.8348

Finalidade: Implementação de obras preventivas para reduzir e/ou minimizar perdas e danos provocados por processos erosivos, deslizamentos, inundações, enchentes, estiagens e demais desastres.

Esta ação NÃO VISA ATENDER a necessidade de INFRA-ESTRUTURA INEXISTENTE, a não ser que a mesma, comprovadamente localizada em área de risco, seja condição para se evitar a ocorrência de desastre.
A implementação desta ação contribuirá para reduzir as perdas provocadas pela ocorrência dos desastres naturais, antropogênicos e mistos, minimizando a insegurança e vulnerabilidade das comunidades locais.

O QUE PODE SER FEITO?
Com os recursos desta ação podem ser realizadas obras preventivas relacionadas com a implementação de:

Açudes;
Pequenas Barragens;
Cisternas de Placa;
Sistema de Abastecimento de Água;
Perfuração de Poço Artesiano e Semi-Artesiano;
Cais de Proteção / Contenção;
Retificação e Canalização de Rios e Córregos;
Dissipador de Energia;
Rede de Drenagem Profunda com Pavimentação;
Passagem Molhada;
Pontes (em locais onde sejam necessárias para prevenir desastres e/ou para substituir as existentes que apresentem riscos à incolumidade das pessoas e veículos) de [Concreto / Metálica / mistas: Concreto – Metálica / Concreto (infra e meso-estrutura) – Madeira (superestrutura: laje) / Metálica (infra e meso-estrutura) – Madeira (superestrutura: laje)];
Passarelas;
Bueiros;
Muros de Arrimos;
Sistemas de Contenção em Encostas, Retaludamento;
Proteção Superficial com Materiais Naturais e Artificiais;
Barreiras Vegetais, dentre Outros;
Realização de Obras para Relocação de Famílias (baixa-renda) que vivem em situação de risco de desastre, dentre Outras.
RESTABELECIMENTO DA NORMALIDADE NO CENÁRIO DE DESASTRES - Atuação após a ocorrência do desastre

FUNCIONAL PROGRAMÁTICA: 1029.4570

Finalidade: Promover a reabilitação de áreas atingidas por desastres naturais e antropogênicos de evolução crônica ou gradual, tais como: seca, estiagem, deslizamento, granizo, inundações, enchentes, etc, reconhecidos como situação de emergência ou estado de calamidade pública, quando comprovadas esses danos por meio de formulário de avaliação de danos por órgãos federais, estaduais e municipais.


Esta ação destina-se ao atendimento da população com a implantação de infra-estrutura urbana e rural objetivando atender famílias de baixa-renda, com a reconstrução e recuperação da infra-estrutura danificada ou destruída por desastre ou sem condições de segurança em conseqüência do desastre e ao atendimento de famílias de baixa-renda com a reconstrução e recuperação de unidades habitacionais no mesmo local ou a construção de casas fora de área de risco. Portanto, NÃO VISA ATENDER a reconstrução de edificações avariadas por outras causas, suprir déficit habitacional, promover a melhoria habitacional, reformar e ampliar ou ainda construir unidade sanitária domiciliar.

O QUE PODE SER FEITO?
Com os recursos desta ação podem ser realizadas obras de:

RECUPERAÇÃO/RECONSTRUÇÃO/AMPLIAÇÃO/IMPLANTAÇÃO de infra-estrutura afetada por desastres: Açudes, Pequenas Barragens, Cisternas de Placa, Sistema de Abastecimento de Água, Poço Semi-Artesiano, e demais obras, instalações, equipamentos e materiais permanentes que visem normalizar a situação do desastre;
Reconstrução / Recuperação de Infra-estrutura Pública {pontes [Concreto / Metálica / mistas: Concreto – Metálica / Concreto (infra e meso-estrutura) – Madeira (superestrutura: laje) / Metálica (infra e meso-estrutura) – Madeira (superestrutura: laje)], passarelas, passagens molhadas, bueiros e pavimentação};
Reconstrução / Recuperação de Poço Artesiano e Semi-Artesiano;
Reconstrução / Recuperação de Cais de Proteção / Contenção;
Reconstrução / Recuperação de Canalização de Rios e Córregos;
Reconstrução / Recuperação de Açude;
Reconstrução / Recuperação de Pequenas Barragens;
Reconstrução / Recuperação de Dissipador Energia;
Reconstrução / Recuperação de Rede de Drenagem Profunda com Pavimentação;
Reconstrução de Muro de Arrimo;
Reconstrução de Sistemas de Contenção em Encostas,
Recuperação de Estradas Vicinais (de acordo com a Nota Técnica nº 034/2008 – Setor de Engenharia – DRR/SEDEC);
Reconstrução / Recuperação de Prédios Públicos e Comunitários (escolas, hospitais, creches públicas) danificados/destruídos por desastres;
Reconstrução / Recuperação de Casas para Famílias de Baixa-renda (renda familiar até dois salários mínimos) que foram danificadas por desastre.
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AÇÕES PREVENTIVAS DE CATASTROFES FUTURAS.
categorias: AÇÕES PREVENTIVAS
http://www.defesacivil.gov.br/recursos/acoes_comuns.asp
Os governos estaduais tem uma ampla escolha de recurso e de procedimentos para promover preventivamente projetos que diminuam os impactos de enhentes, deslizalmentos, perda de pontes, secas prolongadas, incendios, tornados, granizos, trombas de água, entre outros.
Essas verbas não interessam aos prefeitos por que não facilitam licitações superfaturadas e o controle sobre os dinheiros disponibilizados pelos contribuintes é muito ético.
Dai o interesse é por verbas de CALAMIDADE PUBLICA, que podem ser usadas em emergencias, tudo sem licitação, sem controles, na maior orgia de usos para amigos e amigos dos partidos de sustentação.
Por que os prefeitos não querem proceder projetos preventivos ?
Voce saberia responder ?Tenho certeza que sim.
Vou aguardar dos brasileiros que tanto reclamam, alguma sugestão na area de cometarios dessa informação.
Duvido que voce se exponha e ofereça uma opinião, descendo do muro.
Gert Roland Fischer
Presidente da APREMA-SC



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05.12.08
PREFEITURA AMPLIA OBRA DE DRENAGEM
categorias: NOTICIAS
PREFEITURA AMPLIA OBRA DE DRENAGEM


A obra de drenagem da área central de Guaramirim, que passa sob a BR -280, está sendo ampliada passando pelo Pátio do Posto Guaramirim, até o Rio Itapocu. Até então a água era represada em uma galeria nas proximidades. O objetivo é evitar os alagamentos que foram registrados nas recentes enchentes de Santa Catarina. Estão sendo instalados tubos de 1 metro e meio de diâmetro, numa extensão de 110 metros, fazendo a ligação com o rio e o objetivo é concluir o trabalho ainda nesta semana. O prefeito Mário Sérgio Peixer informa que foram realizadas inúmeras obras de drenagens nos últimos anos, porém enfatiza a peculiar condição da área central da cidade, que dificulta o escoamento das águas por estar localizada em nível abaixo da BR 280 de um lado e as montanhas do outro.

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Um depoimento incrível
Escrito por Paulo Roberto Bornhofen-Major da Polícia Militar de Santa Catarina e escritor.
O cenário estava se armando. Quase quatro meses de chuvas. O solo estava encharcado, o rio, o famoso Itajaí-Açu, ganhava volume e tentava fugir de sua calha. O final de semana apenas começara, era sábado. Pela manhã, fui participar da Conferência Municipal de Cultura. Em meio a discussões sobre a cultura, um único assunto ganhava unanimidade, a chuva.Quando voltei, no período da tarde, para o encerramento dos trabalhos, fui informado de que a conferência estava suspensa. O prefeito havia decretado estado de emergência. Voltei para casa e no caminho pude notar que as pessoas andavam apressadas, preocupadas. Cheguei a casa e fui deitar. O barulho da chuva, que caía de forma torrencial, acordou-me. Fui até a cozinha e comecei a saborear uma castanha, quando pela janela da área de serviço notei o trânsito parado e sobre a pista da estrada havia uma lâmina de água barrenta, vermelha. A cidade começava a sangrar e eu não percebera. Fui até a sala, para olhar pela sacada, quando o trânsito parado na via que sai do Parque Vila Germânica chamou minha atenção. Quando cheguei à sacada a surpresa chocou. A rua em frente ao meu condomínio estava tomada pelas águas. Os carros passavam de forma cuidadosa. A água começava tomar a entrada do condomínio. De súbito, corri e acordei minha esposa. Liguei para o COPOM para saber da situação e fui informado de que o Comandante do Batalhão estava presente. Liguei para ele e ouvi a sentença: "o plano de chamada está sendo ativado e és o primeiro a ser chamado!". Já havia passado por esta situação antes, em meus 24 anos de serviço policial militar, dos quais 90% servidos em Blumenau; era a minha 5ª enchente.Rapidamente preparei uma mochila, com alguns itens básicos, como o material de higiene, meias e cuecas. O fardamento eu guardo no quartel. Moro perto do Quartel do meu Batalhão e, pela experiência, sabia que não devia ir de carro. O Quartel pega água e sempre que Blumenau sofre com uma enchente, a casa da Polícia Militar é uma das primeiras a ser atingida. Não conseguia encontrar caminho para o quartel, estava tudo alagado. Liguei novamente para o Comandante, solicitando uma viatura.Fui socorrido por uma de nossas viaturas do tipo camionete e no retorno ao quartel fomos parados por um grupo de pessoas que pedia auxílio para uma mãe com uma criança de 18 dias. Eram evangélicos que estavam participando de um encontro no Parque Vila Germânica, encontro este que também havia sido cancelado. Diante da situação, coloquei a mãe, com a criança nos braços, e mais uma senhora na viatura e partimos para a sua casa. Ele nos informou que morava na Rua José Reuter, no Ristow. O caminho foi longo. O cenário já era preocupante. Muitos alagamentos e deslizamentos pela via davam uma pequena mostra do que viria. A cidade não apenas sangrava, mas em alguns lugares ela já deixava sua carne à mostra. A cidade começava a mostrar suas entranhas, mas eu não percebia, não só eu, acho que até aquele momento ninguém percebia. Quando chegamos à rua indicada, a senhora pediu-me que a deixasse antes de sua casa, que era em um morro, pois se parássemos em frente, ela não conseguiria sair, já que a viatura era muito alta. Lembro que ela ainda apontou para a sua casa e disse: - é lá que eu moro. Hora mais tarde, aquela região foi uma das mais castigadas da cidade, com a destruição de inúmeras casas pelo deslizamento de terra e muita gente morreu. Quando cheguei ao quartel, me reuni com o Comandante e adotamos algumas medidas visando proteger o patrimônio. Por volta das 22:00h fomos dispensados. As previsões não apontavam para cheias. Confesso que fiquei feliz em voltar para casa. Fui a pé. As águas já haviam baixado e não encontrei nenhuma área alagada. Era uma trégua diabólica, apenas para transmitir uma falsa sensação de segurança. Uma pausa para o pior. Blumenau e todo o Vale seriam tomados pelo terror. Silenciosamente a cidade era tomada por forças de proporções catastróficas. A cidade que aprendera a conviver com as seguidas cheias do rio não estava preparado para o que a aguardava. De forma sistemática e cruel, e natureza iria revelar toda a sua ira. A enchente teria companhia. Como que em uma bizarra aventura épica, um monstro com três corpos iria atacar o vale. A população seria acuada, judiada, massacrada. Os morros, que em épocas passadas eram o refúgio para as cheias, haviam se transformado em mortais armadilhas. Deslizamentos iriam tirar a vida de mais de uma centena de aterrorizados moradores do Vale.Mas não no Domingo durante o dia. Novamente as águas recuaram. Nós voltamos ao quartel, havia sido chamado, novamente às 02:00h, em plena madrugada. Podemos dizer que o Domingo foi ameno durante o dia. Quando a noite se aproximou, nos preparamos para ficar ilhados no prédio do COPOM. Continuamente, as águas foram subindo. Não como nas enchentes que a cidade já havia testemunhado. O volume de água foi demasiado para um solo já castigado e ensopado por quase quatro meses de chuva. A enchente seria precedida de alagamentos. Lugares que tradicionalmente eram atingidos com determinadas cotas do rio, simplesmente ficaram embaixo d'água, independente da cota. Assim, de forma sorrateira, com total vilania, as águas pegaram os moradores de surpresa. É tradição que se adote determinada medida em função das cotas. Esta tradição foi destruída, desmoralizada, não serve mais para nada. De agora em diante, quem se guiar pelas cotas estará placidamente esperando a morte chegar e não, como no passado, estará em estado de alerta para enfrentar, e vencer como tantas vezes já ocorreu, com a bravura (a bravura que moldou a multicolorida Blumenau) indômita dos orgulhosos blumenauenses, mais uma enchente. Triste ilusão que cega os sofridos bravos!Com a chegada da noite nos instalamos no COPOM. Os telefones de emergência não paravam, assim com as águas do Ribeirão da Velha, que perigosamente passam e míseros metros dos fundos do aquartelamento. Sem pedir licença, e muito menos encontrar resistências, as águas foram tomando o quartel. Rapidamente uma furiosa lâmina tomou conta de todo o pátio. O Ribeirão da Velha, ardilosamente se apoderou do nosso quartel e lançou um braço que cortou caminho para evitar uma curva que contorna os fundos do mesmo. Agora, tínhamos as águas do Ribeirão, e sua astuta correnteza, nos cercando.Pelo telefone, a comunidade continuava com seu grito de socorro. À medida que a noite avançava, o desespero aumentava, refletido nos ininterruptos chamados ao telefone 190. A cada telefonema, uma história de horror e desgraça nos alcançava. Pelo rádio, o que os policiais militares, homens e mulheres reportavam não era menos estarrecedor. Desmoronamentos, alagamentos, chuva torrencial e o rio, que fazia valer a sua qualificação de "Açu", que em Guarani significa grande. O Itajaí-Açu alargava suas margens e engolia a cidade, engolia o vale. O COPOM se viu envolto em um medonho frenesi. Dividíamos o espaço com os funcionários do SAMU, para alguns deles, a primeira experiência em catástrofes. Rapidamente a situação na cidade se deteriorou e o caos se instalou. Os deslizamentos não paravam. Morte e destruição em cada telefonema. Patrimônios, sonhos e vidas eram levados pelas avalanches de terra. Não demorou muito para que nossas viaturas se vissem sitiadas, suas rotas estavam bloqueadas, idem para as viaturas do SAMU. O socorro não circulava mais. Não chegava e quando chegava não saía. Estávamos vivendo algo inédito. Nunca antes tínhamos enfrentado situação parecida. Era uma guerra contra um inimigo astucioso, mas covarde. Batalhas eclodiam em todos os cantos da cidade na forma de deslizamentos, que produziam baixas e mais baixas entre os moradores. A luta era inglória. O número de vítimas ganhava corpo de forma assustadora. Começamos a receber toda a carga da fúria da natureza. A cidade era atacada por todos os lados. Uma força descomunal a estava devorando, literalmente. Já não eram mais sinais, era todo o furor em seu esplendor máximo; a cidade estava com suas entranhas expostas. Entranhas famintas, que afloravam para o banquete diabólico. A terra dos morros se liquefazia e descia a encosta levando anos de trabalho duro, de sonhos, de projetos, de patrimônio duramente conquistado, de vidas, vidas e mais vidas. Entre as solicitações de ajuda, uma veio da Rua José Reuter, no Ristow, dando conta de que cerca de quinze casas haviam desmoronado como que em um efeito dominó, em que as pedras do jogo são casas, são vidas. Será que aquela mãe com seu bebê de dezoito dias foram atingidos? Passados dez dias daquela noite, ainda não sei. Falta-me coragem para retornar e saber daquelas pessoas. Acho que prefiro não saber. Uma contabilização macabra foi desenvolvida no COPOM. Tentávamos imaginar a quantidade de mortos, com base nas súplicas, nos pedidos desesperados por socorro que nos chegavam. Isso na Polícia Militar; e no Corpo de Bombeiros? Nem dava para imaginar.Já havíamos perdido a energia elétrica e usávamos o sistema de suporte para emergência, um conjunto de baterias administradas por um software. Aos poucos este sistema foi falhando. Os computadores apagaram. Fazia horas que estávamos à luz de velas. Apenas o rádio e telefone 190 funcionavam. Não tínhamos mais como fazer os registros. O sistema rádio, que é ligado aos computadores foi perdido junto com eles; conseguíamos operar apenas através de um rádio tipo HT (aqueles rádios que os policias usam na cintura). Todo o sistema de segurança da cidade, ligado à manutenção da ordem pública, dependia de uma mísera bateria de HT, e quando ela acabasse...Em meio ao caos que assolava a cidade e se refletia em cada policial ilhado naquela sala, um soldado se aproxima de mim e com os olhos arregalados diz: "Major estão morrendo lá fora e não podemos fazer nada!" Simplesmente assenti com a cabeça. No pátio do quartel, aquela lâmina de água agora já tinha mais de um metro de espessura e era varrida por uma forte correnteza. Pensei comigo: se este prédio resistir e não desabar, podemos dizer que temos sorte. Passados alguns instantes, perdemos o telefone 190. Todo o sistema caiu, e a bateria do HT resistia bravamente. Aos poucos, fomos percebendo o silêncio e como que um alívio tomou conta do ambiente. As más notícias não paravam de chegar, só que agora em menor número, apenas pela comunicação com as viaturas. Fomos informados de que um gasoduto explodira em Gaspar. Qual o tamanho da destruição? Havia mortos? Quantos? Apenas especulações. Aquela noite de terror estava longe de terminar. Pela janela do COPOM podíamos enxergar por detrás dos morros a claridade do incêndio no gasoduto. Diante de nós, uma paisagem diabólica ganhou forma. A claridade do incêndio era como que um pôr do sol, ou uma lua cheia a iluminar a morte e a destruição que se abatia sobre a cidade, que alagada desmoronava sob o seu próprio peso. Terra, água e fogo estavam juntos, unidos contra os habitantes do vale. Desta forma, a primeira noite foi vencida e chegou o dia. O primeiro de uma seqüência de dias macabros. Dias que mostraram toda a nossa impotência e incompetência diante da fúria grotesca da natureza, que, sem pedir licença, foi devorando o que encontrava pela frente. Dias que mostraram, também, como a nossa arrogância pode potencializar as forças da natureza quando esta simplesmente resolve seguir seu curso normal. Mas, ainda não tínhamos conhecido o verdadeiro drama, o tamanho da tragédia. Era só o começo!

Paulo Roberto BornhofenMajor da Polícia Militar de Santa Catarina e escritor.Membro da Academia de Letras Blumenauense,da Academia de Letras de Canelinha e da Sociedade Escritores de Blumenau.


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COLOQUEMOS A MÃO NA CONSCIÊNCIA.

Por favor leiam e divulguem:


Criação do código ambiental catarinense: uma reflexão sobre as enchentes e os deslizamentos
As imagens de morros caindo, de desespero e morte, de casas, animais e automóveis sendo tragados por lama e água, vivenciadas por centenas de milhares de pessoas no Vale do Itajaí e Litoral Norte Catarinense nos últimos dias, são distintas, e muito mais graves, das experiências de enchentes que temos na memória, de 1983 e 1984.
Por que tudo aconteceu de forma tão diferente e tão trágica? Será que a culpa foi só da chuva, como citam as manchetes? Nossa intenção não é apontar culpados, mas mencionar alguns fatos para reflexão, para tentar encaminhar soluções mais sábias e duradouras, e evitar mais e maiores problemas futuros.
Houve muita chuva sim. No médio vale do Itajaí ocorreu mais que o dobro da quantidade de chuva que causou a enchente de agosto de 1984. Aquela enchente foi causada por 200 mm de chuva em todo o Vale do Itajaí. Agora, em dois dias foram registrados 500 mm de precipitação, ou seja, 500 litros por metro quadrado, mas somente no Médio Vale e no Litoral. A quantidade de chuva de fato impressiona. Segundo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a floresta amazônica é a principal fonte de precipitações de grande parte do continente e tudo o que acontecer com ela modificará de maneira decisiva o clima no Sul e no norte da América do Sul. Assim, as inundações de Santa Catarina e a seca na Argentina seriam atribuídas à fumaça dos incêndios florestais, que altera drasticamente o mecanismo de aproveitamento do vapor d'água da floresta amazônica. Outros especialistas discordam dessa hipótese e afirmam que houve um sistema atmosférico perfeitamente possível no Litoral Catarinense. Existe uma periodicidade de anos mais secos e anos mais úmidos, com intervalo de 7 a 10 anos, e entramos no período mais úmido no ano passado. Esse mecanismo faz parte da dinâmica natural do clima. De qualquer forma, outros eventos climáticos como esse são esperados e vão acontecer.
Mas o Vale do Itajaí sabe lidar com enchentes melhor do que qualquer outra região do país. Claro que muito pode ser melhorado no gerenciamento das cheias, à medida que as prefeituras criarem estruturas de defesa civil cada vez mais capacitadas e à medida que os sistemas de monitoramento e informação forem sendo aperfeiçoados. De todos os desastres naturais, as enchentes são os mais previsíveis, e por isso mais fáceis de lidar. Os deslizamentos e as enxurradas não. Esses são praticamente imprevisíveis, e é aí que reside o real problema dessa catástrofe.
É preciso compreender que chuvas intensas são parte do clima subtropical em que vivemos. E é por causa desse clima que surgiu a mata atlântica. Ela não é apenas decoração das paisagens catarinenses, tanto como as matas ciliares não existem apenas para enfeitar as margens de rios. A cobertura florestal natural das encostas, dos topos de morros, das margens de rios e córregos existe para proteger o solo da erosão provocada por chuvas, permite a alimentação dos lençóis d´água e a manutenção de nascentes e rios, e evita que a água da chuva provoque inundações rápidas (enxurradas). A construção de habitações e estradas sem respeitar a distância de segurança dos cursos d'água acaba se voltando contra essas construções como um bumerangue, levando consigo outras infraestruturas, como foi o caso do gasoduto. Esse é um dos componentes da tragédia.
Já os deslizamentos, ou movimentos de massa, são fenômenos da dinâmica natural da Terra. Mas não é o desmatamento que os causa. A chuva em excesso acaba com as propriedades que dão resistência aos solos e mantos de alteração para permanecerem nas encostas. O grande problema de ocupar encostas é fazer cortes e morar embaixo ou acima deles. Há certas encostas que não podem ser ocupadas por moradias, principalmente as do vale do Itajaí, onde o manto de intemperismo, pouco resistente, se apresenta muito profundo e com vários planos de possíveis rupturas (deslizamento), além da grande inclinação das encostas. E é aí que começa a explicação de outra parte da tragédia que estamos vivendo. A ocupação dos solos nas cidades não tem sido feita levando em conta que estão assentadas sobre uma rocha antiga, degradada pelas intempéries, e cuja capacidade de suporte é baixa. Através dos cortes aumenta a instabilidade. As fortes chuvas acabaram com a resistência e assim o material deslizou.
A ocupação do solo é ordenada por leis municipais, os planos diretores urbanos. Esses planos diretores definem como as cidades crescem, que áreas vão ocupar e como se dá essa ocupação. Por falta de conhecimento ecológico dos poderes executivo, judiciário e legislativo (ou por não levá-lo em consideração), o código florestal tem sido desrespeitado pelos planos diretores em praticamente todo o Vale do Itajai, e também no litoral catarinense, sob a alegação de que o município é soberano para decidir, ou supondo que a mata é um enfeite desnecessário. Da mesma forma, as encostas têm sido ocupadas, cortadas e recortadas, à revelia das leis da Natureza. Trata-se de uma falta de compreensão que está alicerçada na idéia, ousada e insensata, de que os terrenos devem ser remodelados para atender aos nossos projetos, em vez de adequarmos nossos projetos aos terrenos reais e sua dinâmica natural nos quais irão se assentar. A postura não é diferente nas área rurais, onde a fiscalização ambiental não tem sido eficiente no controle de desmatamentos e cultivos nas áreas rurais, como mostram as denúncias freqüentes veiculadas nas redes que conectam ambientalistas e gestores ambientais de toda região. A irresponsabilidade se estende, portanto, para toda a sociedade.
Deslizamentos, erosão pela chuva e ação dos rios apresentam fatores condicionantes diferentes, mas todos fazem parte da dinâmica natural. A morfologia natural do terreno é uma conquista da natureza, que vai lapidando e moldando a paisagem na busca de um equilíbrio dinâmico. Erode aqui, deposita ali e assim vai conquistando, ao longo de milhões de anos, uma estabilidade dinâmica. O que se deve fazer é conhecer sua forma de ação e procurar os cenários da paisagem onde sua atuação seja menos intensa ou não ocorra. As alterações desse modelado pelo homem foram as principais causas dos movimentos de massa que ocorreram em toda a região. Portanto, precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, rios e encostas.
Por isso tudo, essa catástrofe é um apelo à inteligência e à sabedoria dos novos ou reeleitos gestores municipais e ao governo estadual, que têm o desafio de conduzir seus municípios e toda Santa Catarina a uma crescente robustez aos fenômenos climáticos adversos. Não adianta reconstruir o que foi destruído, sem considerar o equívoco do paradigma que está por trás desse modelo de ocupação. É necessário pensar soluções sustentáveis. O desafio é reduzir a vulnerabilidade.
Uma estranha coincidência é que a tragédia catarinense ocorreu na semana em que a Assembléia Legislativa concluiu as audiências públicas sobre o Código Ambiental, uma lei que é o resultado da pressão de fazendeiros, fábricas de celulose, empreiteiros e outros interesses, apoiados na justa preocupação de pequenos agricultores que dispõe de pequenas extensões de terra para plantio. Entre outras propostas altamente criticadas por renomados conhecedores do direito constitucional e ambiental, a drástica redução das áreas de preservação permanente ao longo de rios, a desconsideração de áreas declivosas, topos de morro e nascentes, além da eliminação dos campos de altitude (reconhecidas paisagens de recarga de aqüíferos) das áreas protegidas, são dispositivos que aumentam a chance de ocorrência e agravam os efeitos de catástrofes como a que estamos vivendo. Alega o deputado Moacir Sopelsa que a lei ambiental precisa se ajustar à estrutura fundiária catarinense, como se essa estrutura fundiária não fosse, ela mesma, um produto de opções anteriores, que negligenciaram a sua base de sustentação. Sugerimos que os deputados visitem Luiz Alves, Pomerode, Blumenau, Brusque, só para citar alguns municípios, para aprender que a estrutura fundiária e a urbana é que precisam se ajustar à Natureza. Dela as leis são irrevogáveis e a tentativa de revogá-las ou ignorá-las custam muitas vidas e dinheiro público e privado.
É hora de ter pressa em atender os milhares de flagelados. Não é hora de ter pressa em aprovar uma lei que torna o território catarinense ainda mais vulnerável para catástrofes naturais.


Prof. Dra. Beate Frank (FURB, Projeto Piava) , Prof. Dra. Edna Lindaura Luiz (UNESC), Prof. Dr. Juarês Aumond (FURB), Prof. Dr.Julio Cezar Refosco (FURB), Prof. Dra. Lúcia Sevegnani (FURB), Prof. Dr. Luciano Florit (FURB), Prof. Dra. Noemia Bohn (FURB), Prof. Dra. Sandra Momm (FURB) e equipe do Projeto Piava (Fundação Agência de Água do Vale do Itajaí).
Blumenau, 27 de novembro de 2008


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ESSA CHUVA PODE SER AVISO DO CÉU



O governador Luís Henrique faz o possível para ser lembrado como o político que passou para o sucessor um estado de calamidade pública
O governador de Santa Catarina, Luís Henrique da Silveira, finalmente se convenceu de que anda à solta por aí uma tal de desordem climática. Foi ela, pelo menos, a desculpa que o acudiu para definir o tipo de tragédia que derreteu encostas no Estado e matou dezenas de pessoas. É, governador, essas coisas acontecem.
Talvez sejam em vasta medida inevitáveis. Mas tendem a pegar mais pesado quem estava desprevenido. E, se estiver interessado em conferir o que quer dizer isso, pode folhear o Código Estadual de Meio Ambiente, que sob seu patrocínio está secando, mesmo debaixo de chuva, a caminho da Assembléia Legislativa.
Ele foi saindo cada vez mais torto, à medida que passava por audiências públicas. Pegou o mesmo tipo de resistência que, três anos atrás, defendeu Santa Catarina da criação de parques nacionais em lugares ainda abençoados por florestas de araucárias. Armou-se de dispositivos estranhos, senão agourentos, como a aprovação automática das licenças ambientais, se em 60 dias os técnicos não derem sua palavra final sobre projetos.
Tende a ser uma lei dura. Mas só é dura com aquilo que o governador já chamou na tevê de "oposição meio ambiental". Pode ser coincidência, mas o rascunho está cada vez mais parecido com suas idéias, e, principalmente, com suas idiossincrasias.
Mesmo com a chuva caindo, ele riscou qualquer menção à "vida aquática", na parte referente aos "recursos hídricos". Pois é, trata-se de abrir alas à construção de hidrelétricas. Ele nunca engoliu os argumentos que o impediram de autorizar, como queria, quando prefeito de Joinville, a instalação de uma usina na serra catarinense. E acredita, ou professa, que toda precaução é um instrumento do "medievalismo".
Como nunca esclareceu exatamente o que quer dizer com essa palavra, presume-se que não se trate da Idade Média original, a européia, marcada pela eliminação quase total das florestas no continente, pela transformação dos rios em esgotos fedorentos e por uma guerra milenar contra a fauna silvestre.
O europeu do século XX também se distingue de seus antepassados medievais por ter mais árvores. Ou pela prerrogativa de pescar em rios límpidos no centro de Estocolmo. E até por não dar mais a seus políticos o direito de fazer em público as declarações que o governador faz em entrevistas. Muito menos de governar um Estado que é recordista nacional de devastação da mata atlântica, em nome do "aproveitamento sustentável da natureza" e da ojeriza à "obtusidade".
Não adianta apontar para o céu. As chuvas podem fazer grandes estragos, mas dão e passam. Como nenhuma chuva chove dois mandatos, quase sempre há tempo de sobra para apagar os sinais deixados por sua passagem antes que venha a inundação seguinte. E as obras feitas aqui embaixo tendem a durar mais do que as pessoas que as deixaram.
E, na batida em que vai, o governador Luís Henrique está fazendo o possível para ser lembrado como o político que tomou posse de um Estado invejado nacionalmente pela beleza natural e passou para o sucessor um estado de calamidade pública.
Marcos Sá Correa é jornalista e editor da revista Piauí
Última Palavra - http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2039/artigo117703-1.htm
Marcos Sá Corrêa

20 novembro, 2008

ENCHENTES EM SANTA CATARINA

ONG SÓCIOS DA NATUREZA participará da
CÚPULA SOCIAL DO MERCOSUL

(A CSM acontece dentro da organização da CÚPULA DE PRESIDENTES DO MERCOSUL e da CONFERÊNCIA DA AMÉRICA LATINA E CARIBE)




Sócios da Natureza participará da ‘’Cúpula Social do Mercosul’’ em Salvador, Bahia, nos dias 13, 14 e 15 de Dezembro de 2008, como convidada especial da Secretaria Geral da Presidência da República (SG-PR). Uma grande responsabilidade nos é incumbida, mas com muita honra, a participar de uma mesa redonda sobre Mudanças Climáticas na Cúpula Social do Mercosul e proferir palestra como afetado do Catarina na ''Cúpula dos Povos'' que acontece em paralelo à dos governantes, portanto não oficial.

‘’O encontro reúne representantes de Movimentos Sociais do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e da Venezuela e acontece durante a 36ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul. Presidentes da América Latina e Caribe se reunirão em Salvador, Bahia, em duas iniciativas consecutivas: a Cúpula de Presidentes do Mercosul e a Conferência da América Latina e Caribe. É a primeira vez que os Chefes de Estado da região se reúnem sem a presença dos EUA. Nestas duas instâncias de alto nível, os presidentes debaterão uma agenda crucial para o destino dos povos de nossa região. Serão tomadas decisões sobre comércio, integração regional, políticas sociais e econômicas comuns, segurança e militarização, integração produtiva, políticas sobre migrações, e muitos outros temas fundamentais para o nosso futuro. Durante a Conferência, esses governos se prepararão de certa forma para a próxima Cúpula das Américas, que ocorrerá em abril de 2009, em Trinidad y Tobago, que pretende encontrar novas roupagens para os já derrotados planos de EUA para a região. Na última dessas reuniões, a III Cúpula das Américas ocorrida em Mar del Plata - Argentina, a proposta da ALCA foi claramente rejeitada’’ Release da REBRIP.

OBS. Ainda não concluímos a pauta, mas não iremos lá pra lamentar as tragédias climáticas, mas sim buscar alternativas de enfoque preventivo como a instalação do Sensor/Bóia nas imediações da costa atlântica de Araranguá através do Plano Transversal da Marinha; A composição da atmosfera regional captadas por satélites da NASA e o apoio institucional ao Segundo Encontro sobre Mudanças Climáticas, em Março de 2009. Além disso ‘’imploraremos’’ mais atenção do Governo Federal à região afetada, no sentido de promover estudos específicos, científicos e qualificados sobre as reais causas dos intensos e freqüentes eventos climáticos na região entre a Bacia do Mampituba e do Itajaí (Blumenau). Várias são as versões atribuídas às causas, mas deve haver alguma que seja mais determinante, apesar da complexidade do tema. É preciso também que estado fortaleça a Defesa Civil na região, porque não já ensaiar uma espécie de Estado de Emergência Climática.

OBS. Denunciaremos o inconveniente PL 238 do governador LHS que se aprovado aumentará a fragilidade das matas ciliares, das encostas, das APPs, das UCs e permitirá que licenciamentos de empreendimentos sejam aprovados após 60 dias, por mais poluentes que sejam, ou seja, as enchentes irão soterrar e afogar mais vidas para agradar o setor produtivo ganancioso que só visualiza o lucro. Isto é crime não só ambiental, mas civil! Se possível, protocolarmente, denunciaremos perseguições e ameaças a Ambientalistas, que cada vez mais sem recursos calam-se perante as pressões do poder político e econômico.

Possivelmente as notas publicadas no site do colunista Cláudio Humberto (e em outros sites também!) baseadas nos alertas (abaixo) em relação a tragédias climáticas no Sul de SC e agora no Norte, contribuíram para que o convite fosse feito a ONGSN.


claudiohumberto.com.br
QUINTA-FEIRA, DEZEMBRO 04, 2008
Santa Catarina em ‘emergência climática’
Usinas termelétricas podem ter contribuído para a desgraça da chuva no norte catarinense, segundo alertam os ecologistas. Em 1974, anos após a construção da usina Jorge Lacerda, Sul do Estado, enchente matou 199 pessoas. Vieram depois trombas d"água e furacões. A ONG Sócios da Natureza adverte há anos para a queima de carvão e agora “implora” ao governo federal que decrete Estado de Emergência Climática.
Balão de gases
A usina Jorge Lacerda, no centro de duas bacias climáticas, emite CO² e outros gases dia e noite há 43 anos, segundo estudo da ONG.
Cheiro de enxofre
Morador de Blumenau, Niels Deeke, 72, relatou "cheiro de enxofre e ácido nítrico" no dilúvio que começou a cair no domingo, 23, às 19h37.

Cláudio Humberto

(OBS. Antes de lançarmos o apelo na rede, foi publicada a nota abaixo no dia 02, a nossa mensagem foi divulgada dia 03, e no dia 04 ele publicou a nota acima já baseado no apelo...)

Cláudio Humberto 02/12/2008 | 13:42
Aquecimento mortal anunciado
Lula criou um fundo de trabalho para avaliar a tragédia catarinense. Poderia convidar a ONG Sócios da Natureza, que há anos, aqui nesta coluna, alerta para a ameaça do aquecimento global na região, assolada por enchentes, tornados, ciclones e furacões. Em maio, ela pediu ao governo que decretasse estado de emergência no sul do Estado, o maior emissor de dióxido de carbono (CO²) da América Latina. Ninguém prestou atenção...

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VOLTAMOS A IMPLORAR A DECRETAÇÃO DE ‘’ESTADO DE EMERGÊNCIA (E CALAMIDADE) CLIMÁTICA’’ EM SANTA CATARINA. PRIMEIRO ALERTA FOI POR CAUSA DAS OCORRÊNCIAS CLIMÁTICAS NO SUL DE SC. CONFORME RELATO ABAIXO E AGORA A TRAGÉDIA NO NORTE DE SC.



Esperamos não estarmos constatando mais um oportunismo político sobre a desgraça do povo Barriga Verde e da destruição da natureza. Durante o flagelo do furacão Catarina foi a mesma coisa: as necessárias e bem vindas ajudas humanitárias aos afetados ambientais porém junto vieram governantes e políticos empenhando-se de olho nas campanhas eleitorais. Até degradadores ambientais como desmatadores e carboníferos se aproveitam nestes momentos com doações às vitimas .

Estudiosos alertam na mídia sobre medidas preventivas para reduzir o impacto das cheias, por exemplo, mas coincidentemente o atual Governador do Estado de Santa tenta aprovar uma lei denominada de Código Ambiental, objetivando agradar o setor agrícola da monocultura e madereiro, acabando com as APPs, como reduzindo a mata ciliar para cinco metros e permitindo desmatamento nas encostas.

As causas que provocam a ocorrência de fenômenos naturais podem ser várias, porém o homem está intensificando a freqüência das mesmas tornando o ambiente vulnerável a impactos cada vez mais devastadores, com desmatamento, queimadas e a queima de combustíveis fósseis.

Coincidentemente após o início do processo de queima de carvão mineral pela usina termelétrica Jorge Lacerda, em meados de 1965, no município de Tubarão, sul de Santa Catarina, ocorreu em 1974 a enchente com maior
número de mortes do país, pois só em Tubarão foram registrados 199 mortos, mas ocorreram mortes também na Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá e do Mampituba. Em 1983 ocorreu em Blumenau (Bacia do Itajaí) uma tão violenta quanto à de Tubarão com 49 mortes e prejuízos incalculáveis. Na noite de Natal de 1995, em questão de poucas horas, 29 pessoas perderam a vida por causa de uma trombada d’água nas encostas dos Aparados da Serra, na localidade rural de Figueira, Timbé do Sul, na Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá. Agora volta a ocorrer, talvez a mais violenta de todas, com quase 150 mortos e estragos incalculáveis na Bacia
do Itajaí.

As citadas bacias hidrográficas estão localizadas entre a Serra Geral e o Oceano Atlântico numa distância média de 40 a 60 KM de largura, enquanto que entre a Bacia do Itajaí e a do Mampituba deve haver aproximadamente 350 KM de distância em linha reta, sendo que no centro encontra-se a poderosa Jorge Lacerda com seus 856MW instalados emitindo gases dia e noite sem parar há 43 anos. Estes gases emitem CO² que contribuem com o aquecimento global e outros gases como NO² e SO² que causam a chuva ácida, como também podem causar evaporação quando encontram frentes frias.

Agora vejam o depoimento de um blumenauense no domingo do dia 23 durante o início da tempestade e depois leiam o alerta do cientista Ernani Sartori da UFP.

OBS. Óbvio que grandes enchentes ocorreram antes da instalação da Jorge Lacerda, como a de 1962 na Bacia do Mampituba, a de 1948 na Bacia do Araranguá e a de 1911, em Blumenau, na Bacia do Itajaí.
Tadeu Santos


----- Original Message -----
From: Clic
To: tkane@contato.net
Sent: Sunday, November 23, 2008 11:20 PM
Subject: Enchente em SC

(Olhem só esse relato)
Agora são exatas 20,41 horas e desde as 19,37 chove torrencialmente em Blumenau, com uma intensidade inacreditável. O que já estivesse perigando, com a pancada de agorinha certamente deslizou grotões baixo.
Enchentes - estamos acostumados a sofrer, mas delúvio com tamanha concentração de água, nos meus quase 72 anos de vivente jamais vi, nem mesmo parecido. Parece-me sentir um cheiro de enxofre e ácido nítrico na água da chuva - o que seria isto?
E agora continua chovendo cântaros. Rádios locais todas fora do ar. Ouço grandes árvores - figueiras seculares desabarem com estrondo na floresta do morro fronteiro à minha casa -certamente o terreno deslizou.
Recuperar Blumenau, se ainda valer a pena, vai ser muito difícil - levará anos.
Não estou exagerando - é algo fantasticamente supra real - parece até ficção a força da correnteza nas valadas, ribeirões agora são rios e caminhos são cursos de correntes, todos com catadupas, cujo barulho é ensurdecedor.
Que a NATUREZA se apiede de nós neste VALE DE LÁGRIMAS.
Não sei até qdo poderei dispor de energia elétrica e computador.
Fico por aqui.
Niels Deeke, em Bl'au

OBS. A explosão do gasoduto ocorreu às 22:30 hrs de acordo com matéria do Diário Catarinense data ................
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Depoimentos mais dramáticos que este colhemos em vídeo em 1995, quando um agricultor perdeu dois filhos na noite de Natal, a casa/moradia e quase 70% da fértil terra de sua propriedade rural, ficando apenas uma extensa malha de pedra – seixo rolados. Nesta noite mais 27 pessoas perderam a vida arrastadas pela violência das águas na localidade de Figueira, Município de Timbé no sul de SC, resultante do choque de nuvens presenciado pelos moradores locais. (Temos fotos)
Na noite do furacão Catarina por volta das 24:15 hrs estava transitando na rodovia BR-101 faltando apenas 10 minutos para chegar em casa, qdo ventos de 180 KM/H acompanhados de chuva impediram de continuar pois centenas de imensas árvores bloquearam a pista... Não podia ir nem voltar! Em determinado momento senti que não escaparia... Resumindo, só cheguei em casa as 11:00 hrs através de um atalho pela parte rural do município.
Penso que qualquer governante ou degradador ambiental que de um modo ou de outro sentisse o perigo da força da natureza não seria mais o mesmo após... como a antológica cena do caçador que ‘’sentiu’’ a morte do servo no filme Energia Pura.

OBS. Tentaremos reproduzir o excelente e oportuno texto ‘’COLOQUEMOS A MÃO NA CONSCIÊNCIA’’ sobre a tragédia ambiental do Vale do Itajaí de autoria da Beate Frank e outros colegas para distribuir no evento.

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Olá Tadeu

Este relato é tenebroso e fantástico ao mesmo tempo, pois apesar de tantos problemas, vê-se, porem, a perfeita comprovação das minhas teorias de que sao as termoelétricas (e em SC e RS apareceram muitas) que jogam no ar os elementos que provocam tais odores e catástrofes.
Tadeu envia o relato do Niels (talvez com o meu parágrafo abaixo junto) para toda a mídia, ela vai fazer censura, mas que fique sabendo que a vida da internet está atenta e talvez alguma deixe escapar alguma coisa. É importante enviar isso para toda a internet também.
Escrevi o texto abaixo e o publiquei em alguns jornais em 1996 e o artigo intitulado USINAS TERMOELÉTRICAS CAUSAM MUITOS DANOS AO AMBIENTE E AO PAÍS foi publicado em 2000 no site www.aondevamos.eng.br/verdade
"Além do problema da elevação da temperatura ambiente, a queima de combustíveis fósseis libera certos óxidos, como o NOx e o SO2, que por sua vez se transformam na atmosfera em poluentes secundários como o ácido nítrico e o ácido sulfúrico, ambos facilmente dissolvíveis em água. Os ácidos também podem se transformar em sais de enxofre e de nitrogênio e estes ácidos, então, podem se precipitar através da chuva (conhecida como chuva ácida), neblina ou neve. Os danos dessa chuva podem ser causados em florestas, plantações, lagos, peixes, prédios, água de abastecimento, carros, pessoas, etc, e, com o aumento da acidez da terra, os recursos de alimentação e produção diminuem".

Abraços e obrigado pelo e-mail

Sartori.

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ESTADO DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

Rogamos ao governo mais atenção à região sul de Santa Catarina e desafiamos as universidades sul brasileiras a elaborar um profundo estudo sobre a intensa ocorrência de fenômenos e adversidades climáticas, resultantes da mudança de clima, que historicamente ocorrem nesta planície, situada entre o oceano Atlântico e os Aparados da Serra Geral. Considerando todos os estudos científicos, pesquisas, catástrofes e o descongelamento de geleiras no ártico, ou seja, o despertar da humanidade para com a resposta da natureza as brutais agressões que o homem tem causado aos recursos naturais. Considerando que não são mais apenas os ambientalistas e ONGs que alertam para um possível caos ecológico, agora são renomados cientistas e a poderosa ONU, que anuncia problemas socioambientais como conflitos pelo uso da água e catástrofes ambientais. Agora é Al Gore, um dos homens mais influentes do mundo que abraça a causa ambiental e o Banco Mundial raciocina que é mais lucrativo deixar de produzir 1% do PIB mundial agora, do que amargar com 20% de prejuízo numa expectativa de 15 a 20 anos.
A região sul de SC, em 1974, foi surpreendida com uma das maiores enchentes do Brasil, senão a maior, pois vitimou mais de 250 pessoas, com prejuízos imensuráveis para o poder público e população. Outras enchentes causaram pânico, destruição e mortes como a da noite de Natal de 1995, que arrastou 29 pessoas para a morte, devido à intensidade da precipitação pluviométrica nas encostas dos Aparados da Serra Geral. (Depoimentos de colonos afirmam que o choque entre duas nuvens fez com que caíssem inteiras). Conforme dados da Defesa Civil de Araranguá, ocorreram cheias significativas no rio Araranguá também em 1998, 2000, 2002 e agora em 2008.
Na seqüência, ocorreram os tornados de 2005 e 2007, mais precisamente em Criciúma e Tubarão, provocando estragos consideráveis a população atingida. Mas o fenômeno que realmente surpreendeu foi o furacão Catarina no início da madrugada de 28 de Março de 2004, com uma violência indescritível em relação à ocorrência de ventos com chuva. Não precisamos aqui citar os dados do inédito ‘’Catarina’’, pois está na memória de todos e consta em todos sites relacionados à temática do clima.
O que nos preocupa também é a estranha coincidência de um fenômeno iniciar em alto mar do Rio de Janeiro vir ‘’escolher’’ em toda imensa costa do Atlântico Sul, a região do sul de Santa Catarina como epicentro, a que justamente mais emite CO² pela queima do carvão – o combustível fóssil responsável pelo desequilíbrio do efeito estufa, que resulta nas mudanças climáticas. Por sua vez a ocorrência do ciclone extra tropical na região sul de SC também assusta, já que o professor Ernani Sartori (Universidade Federal da Paraíba) defende a tese de que existe a tendência de ocorrência de fenômenos climáticos em regiões potencialmente emissoras de gases efeito estufa, como ocorre na região sul dos EUA, onde também existem muitas usinas termelétricas queimando combustíveis fosseis.
Os dados citados são comprobatórios e idôneos, quaisquer dúvidas consultem a Defesa Civil de Araranguá ou do Estado de Santa Catarina. Outros dados e informações podem ser obtidos no Departamento de Geociências da UFSC. Nos Blogs da ONG Sócios da Natureza constam muitas informações sobre os conflitos socioambientais e a poluição causada pela atividade carbonífera da região sul de Santa Catarina - uma das 14 áreas mais críticas do país de acordo com o decreto federal nº 85.206/80.

OBS. Em face da situação exposta não seria de decretar Estado de Emergência Climática?



Sócios da Natureza
ONG criada em 1980 para defender a Natureza e uma melhor Qualidade de Vida para o Sul de Santa Catarina, de forma estrita e comprovadamente voluntária.
sociosnatureza@contato.net
www.tadeusantos.blogspot.com / www.sociosdanatureza.blogspot.com
Cel (48) 9985 0053 / Tel 48-35221818

EVENTO APRESENTAÇÃO DO PROJETO DESVIO PELA VIDA

Release/Comunicado
Entidades, Cidadãos, Empresários e Autoridades envolvidas no processo do desvio da duplicação da BR-101, em Araranguá, tanto os que lutaram pelo desvio por fora do perímetro urbano quanto os que defenderam a duplicação pelo traçado original, estarão democraticamente reunidos às 19 horas, do dia 27 de Novembro, no salão auditório do Hotel Becker, para conhecerem o projeto ‘’Desvio pela Vida’’, Uma conquista da Sociedade Civil Organizada. Faça parte desta história registrando o significativo fato de Cidadania Social. O projeto será apresentado pela ONG Sócios da Natureza, representando o Movimento Pró-Araranguá / MPA.

(Ao final será oferecido um coquetel aos presentes).

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE CÓDIGO AMBIENTAL EM CRICIÚMA

Audiência Pública sobre Código Ambiental
Promovida pela ALESC / SDS
Dia 10/11/2008, em Criciúma.



Cada dia torna-se mais complicado defender a natureza, principalmente de forma voluntária. Começa pelas dificuldades impostas pelo Estado, como promover um evento de interesse público, ou seja, para a sociedade civil e produtiva, às 14horas, quando poderia ser às 19horas, por exemplo. Em vez de realizar a Audiência Pública num local de fácil acesso ao público, o faz num local de difícil acesso e pequeno (e privado!), quando na verdade deveria pela relevância do tema fazer por região, ou seja, uma na AMESC, na AMUREL e outra na AMREC e, assim por diante, concluindo com uma final na capital. Para obter votos, as governanças políticas não medem esforços indo até a casa do cidadão, mas para discutir políticas públicas delicadas o fazem pelos caminhos mais complicados e tortuosos.

As audiências públicas ainda são as formas mais democráticas de apresentar um projeto ou uma proposta para obter opinião pública, mas sua dinâmica poderia ser mais participativa se permitisse mais tempo à manifestação da sociedade civil. Explicamos, o empreendedor prepara-se com antecedência e numa posição estratégica apresenta o projeto ou proposta, como o fizeram na tarde de segunda no auditório lotado da Imbralit do perigoso cimento amianto. Os convidados representando os setores produtivos extrapolaram os 3 minutos estipulados pela mesa, tanto que um deles falou por 10 minutos (Apenas o Burigo da FIESC obedeceu ao tempo estipulado), transmitindo sua ira contra a legislação ambiental vigente que protege as matas ciliares e encostas, enfim as Áreas de Preservação Permanentes / APP ou as Unidades de Conservação / UC. Juntando a apresentação inicial da técnica e os depoimentos da mesa, com exceção do Dr. Darlan MPF e do Dep. Décio, todos foram exageradamente favoráveis à aprovação imediata do Projeto de lei PL 0238.0/2008, que institui o mal elaborado e despropositado Código Ambiental para Santa Catarina.

Aberto o debate, 99% do público ali presente constituídos de agricultores e rizicultores já eram favoráveis também, pois o setor agrícola é muito articulado e organizado (a sociedade civil está deixando a desejar), fica, portanto, muito difícil em dois minutos apenas defender questões ambientais complexas, principalmente quando se mexe nos meios de produção de uma classe marginalizada como a agricultura, com históricas dificuldades.

Um dado interessante que temos observado aqui na região é que setores agrícolas se articulam quando convocados pelo Estado, mas quando é para combater o Estado que os explora com absurdas taxas e impostos nada fazem. Afinal produzem nosso alimento, bem essencial à sobrevivência humana, enquanto que outros setores que produzem bens também de importância, mas não vitais, recebem subsídios e dominam o mercado de capitais. Estranho e injusto não!

Podem os líderes de sindicatos e associações agrícolas por estarem ligados a siglas partidárias se sujeitarem aos interesses políticos em detrimento dos reais interesses dos pequenos agricultores, digo daqueles que dependem da terra para sobreviver, digo daqueles que preservam as nascentes, digo daqueles que plantam feijão, batata, cebola, mandioca, milho e verduras sem agrotóxico, que tentam ganhar a vida, mas sem a ganância destruidora.

É preciso muita sorte nestes momentos defender o óbvio da necessária mata ciliar, quando o homem rural ali presente não entendeu (ou se faz!) a importância das mesmas para a preservação dos recursos hídricos da sua bacia hidrográfica, quando sua mente está atulhada de baboseiras apontadas por quase 100 minutos, pela ganância do lucro imediato das monoculturas ou de outras atividades que precisam avançar mais e mais para obter lucro.

Por isso é que a Audiência Pública às vezes não é justa com a natureza, porque não existem defensores suficientes e preparados para defendê-la nestas situações. A sociedade civil não estava presente como a OAB, CREA, IAB, ABES, Universidades, Institutos de Cidadania e Associações de Bairro, entre outros. Na minha manifestação, por exemplo, fui interrompido por um agricultor, vaiado e o único que não recebeu aplausos do público presente (Já estou acostumando com o cenário!)

A atual Administração Estadual do Governador LHS tem utilizado o expediente do lobby político institucional, com verdadeiras táticas de guerra, onde motivam os Secretários Regionais a baterem violentamente contra as Unidades de Conservação (UC) no mesmo estilo adotado por Goebbels. Como a utilizada na Consulta Pública sobre Refugio da Vida Silvestre RVS em Timbé do Sul, ou seja, criam pânico no meio rural com ameaças de que poderão perder suas terras juntamente com outras injustificadas alegações, por causa das UC e das ONGs.

Pelo discurso dos ferrenhos defensores da atual proposta, têm-se a impressão que o agricultor está acreditando que a vida no campo irá mudar para melhor a partir da sua aprovação, quando poderá ficar pior com um maior impacto das enchentes sobre suas plantações e moradias, por exemplo, ou mesmo de um irreversível processo de desertificação.

Tentarei descrever minha breve fala, onde inicialmente comentei que o Estado já decidiu que quer atender apenas os interesses dos quatro setores convidados, que a sociedade civil neste caso não interessa, comentei que a região é uma das mais poluídas do Estado de SC, que as nascentes da planície estão comprometidas com a rizicultura e a mineração do carvão.

Que restam apenas as nascentes das encostas da Serra Geral. Que finalmente o Estado de SC olha para os tão marginalizados homens do campo quanto os das favelas urbanas. Que o Estado que se autodenomina de moderno investe prioritariamente em asfalto, transportes, energia a carvão, entre outras ações voltadas ao conforto do homem urbano, enquanto que nunca para o rural.
Que o Estado tem sistematicamente apoiado a monocultura, mas nunca de fato a agricultura, digo a familiar e a orgânica, como os 60 milhões destinados para a Barragem do Rio do Salto para abastecer a rizicultura em detrimento das 80 famílias agrícolas de Areia Branca que serão ‘’expulsas’’ de suas terras. Que apoiou as propriedades que excluíram suas hortas, arvoredos e jardins para o arroz sob o olhar do estado via EPAGRI e FATMA, que mesmo com o devastador exemplo do famigerado Pró-Várzea, permitiu e apoiou a rizicultura da irrigação, detonando com o que restava de Mata Atlântica da região do extremo sul de SC.

Inicialmente havia cronometrado o tempo dos ‘’convidados especiais’’ do Governo Estadual para então extrapolar no meu tempo estipulado de dois (2) minutos para ler todo o documento da FEEC, mas não tive sorte. Começando pela falha da ‘’tática’’ de sempre querer falar sentado no mesmo nível do público e da repentina interferência de um revoltado rizicultor que me interrompeu bem na minha frente, tirando minha disposição ou me amedrontando. Prova disso é que depois alguém me alertou que no mesmo momento ‘’três caras’’ vieram sentar-se atrás de mim, numa espécie de intimidação. Só percebi que o arrasto das cadeiras tinha sido um pouco exagerado, por isso sai do local e procurei ficar próximo dos ambientalistas presentes e ao final procurei sair bem acompanhado.

Agora aqui no meu canto, longe das ameaças físicas, mas mesmo assim sujeito as represálias por vezes mais humilhantes e prejudiciais a minha pessoa (como as quatro ações judiciais que estou respondendo por defender a natureza e uma melhor qualidade de vida para a região sul de SC) descreverei um detalhamento, apesar de óbvio, sobre a importância da mata ciliar, que consta num relato que fizemos sobre a última Assembléia do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá, ocorrida dia 29/11/08:
‘’Pode parecer desnecessário e redundante fazer uma descrição detalhada da importância do ciclo da chuva, mas é a madura insistência que muda as mentes e corações das pessoas, senão vejamos de forma empírica o processo: A água da chuva ao cair nas encostas florestadas infiltra-se com mais facilidade pelas raízes das pequenas, médias e grandes árvores, reduzindo a quantidade de água que corre para os córregos e rios ao mesmo tempo em que arrasta poucos sedimentos para os respectivos leitos.
A mata ciliar possui praticamente as mesmas funções da vegetação das encostas, além de proteger o rio, as raízes das árvores dão sustentação evitando a erosão das margens como desmoronamento, por exemplo. (Foto em anexo das encostas rasgadas e da margem desmoronada). Defendemos uma mata ciliar de 10 dez metros bem cuidada do que uma de 20 ou 50 sem sustentação adequada, que não permita a drenagem das águas. A lição é básica e simplíssima, todos sabem, mas continuam a desmatar criminosamente e a jogar nos cursos d’água tudo o que não mais interessa ao consumo humano.’’

Volto a alertar que o Excelentíssimo Senhor LHS está por trás desta sutil e assustadora violência (tão combatida brilhantemente quando o mesmo era Deputado Federal no período da Ditadura Militar, como também o ex-Revolucionário Sergio Grando!) como esteve na Consulta Pública de Lages ou São Joaquim, onde o Secretário Regional falou até em facão para impedir a aprovação da Reserva da Vida Silvestre do Rio Pelotas/ RVS, da mesma forma que no Timbé do Sul onde o Secretário Regional estava possesso contra a proposta de criação da Reserva (mesmo sem conhecer as vantagens da UC), nos ameaçando diretamente dizendo que não aceitaria que ONGs de fora viessem interferir... (Relato completo da Consulta Pública no blog www.tadeusantos.blogspot.com). Ou seja, estão apenas refletindo o teor do que ouviram do Chefe de Estado, notoriamente reconhecido como ganhador de dois prêmios ‘’Moto Serra de Ouro’’ e como autor da Ação Direta de Inconstitucionalidade / ADIN contra a Lei Federal 9.985/00. Um absurdo!

Concluindo, finalizamos lendo apenas três trechos da mensagem da Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses / FEEC:
...as conclusões até o momento alcançadas são verdadeiramente lamentáveis. Resta-nos sérias dúvidas sobre as intenções do executivo estadual com a propositura de tal projeto de lei.
Acreditamos na necessidade de um código ambiental para o estado, mas que seja um código moderno e que atenda às suas finalidades. Para isso precisamos de tempo para discutir e amadurecer idéias.
Desta forma solicitamos seja imediatamente suspensa a projeção de votação do código em dezembro do presente ano, estendendo-se para o ano de 2009, visando propiciar tempo para reformulações e engrandecimento de tão importante diploma legal.

Ao final informei a coordenação do evento que o documento da FEEC seria apresentado na Audiência Pública do dia 19 em Florianópolis.

OBS. Vale registrar as oportunas e coerentes falas do Procurador da República Darlan Dias e do Deputado Décio Góes, na defesa da mata ciliar, dos recursos hídricos, dos pequenos produtores rurais e do cuidado com a legislação referente aos licenciamentos, como também o depoimento do Joaquim e do Dalton pelo Movimento pela Vida.

A Coordenação


Só depois das florestas destruídas!
Dos rios, lagos e mares poluídos!
Das geleiras descongeladas,
Da atmosfera contaminada,
Do comprometimento total
de toda biodiversidade,
do último peixe morto!
perceberemos que o
dinheiro não se come!



Sócios da Natureza
Fundada em 1980

Prêmio Fritz Muller

www.sociosdanatureza.blogspot.com


Filiada a Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses FEEC, Fundadora do Movimento Pela Vida / MPV, Inscrita no CNEA/CONAMA, Integrante da Rede Brasileira de Justiça Ambiental RBJA, Integrante do GTEnergia e GTClima do Fórum Brasileiro de Movimentos Sociais / FBOMS.

FBMC

SENHORAS / SENHORES

Para quem viajou mais de 1.000 KM de carro para participar da Consulta Pública, em Curitiba, no dia 16, a convite do FBOMS e do FBMC, causa indignação ao ler o relato / ata da reunião elaborada pelo FBMC, pois excluíram tópicos debatidos e adicionaram outros que sequer foram mencionados no debate.
Apesar da única e breve citação ''O planejamento energético no Brasil deve retirar as termoelétricas a carvão mineral em Santa Catarina, uma fonte de energia extremamente suja e degradante (SINDISEAB e FBOMS)'', percebe-se na síntese da reunião enviada pelo FBMC uma desconsideração para com temas abordados na Consulta Pública (no qual deve ter sido gravada!), considerados de extrema relevância em se tratando de Mudanças Climáticas, com citações significativas como ''queima de combustíveis fósseis'' e a ocorrência do ''furacão Catarina no Sul de SC'', além dos documentos entregues em mãos a equipe do FBMC.
• Esclarecemos que termoelétricas existem também no Rio Grande do Sul, não apenas em Santa Catarina!!!
• De onde é o SINDISEAB? Quem abordou termelétricas a carvão na Consulta Pública foi a ONG Sócios da Natureza, filiada a FEEC e integrante do GTEnergia do FBOMS!
• Está muito óbvio que supervalorizaram questões pontuais do Paraná.
• Comunicaram que haveria uma consulta no dia 31 em Florianópolis, mas não a fizeram. Na verdade a consulta pública do dia 16 deveria ter sido realizada em Santa Catarina para melhor atender a região Sul.
• Não será desta forma que o FBMC encontrará as melhores e mais adequadas soluções aos gravíssimos problemas das Mudanças Climáticas no país, pois não levaram em conta os depoimentos de uma das regiões mais afetadas no país pela mudança do clima.
• Terá sido por que publicamos na rede o texto abaixo?

• Pelo visto não ouviram a gravação para fazer a transcrição, afinal consulta pública é consulta pública, deve ser transcrita da forma como ocorreu, mesmo que o público presente representando a sociedade não tenha correspondido às expectativas da coordenação. Se não correspondeu ou é porque não entendeu a proposta ou porque ainda não sabe o que são verdadeiramente mudanças climáticas.

• O Senado Federal realizou uma audiência pública no início deste ano sobre Mudanças Climáticas no sul de SC, justamente no QG do carvão em Criciúma e só deram atenção às propostas formuladas pelo setor carbonífero SIECESC e pela equipe da Tractebel/Suez, proprietária da maior emissora de CO² da América Latina pela queima de combustíveis fósseis.

• Se o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas não leva em consideração o que está acontecendo no sul de Santa Catarina na elaboração do Plano Nacional de Mudanças do Clima, não terá sido justo, abrangente e honesto, afinal o Brasil quando se concebe meio ambiente e/ou mudanças climáticas não é só a Amazônia.

• Com certeza quando os EIKEs e as VALEs começarem a queimar carvão mineral na Amazônia o enfoque será outro... Ou seja, não estariam sendo inconvenientes com a verdade?

Tadeu Santos / Coordenação Sócios da Natureza / Araranguá SC, 11/11/2008.

RELATO AP MPF SOBRE CARVÃO CRICIÚMA

...de nada adianta lutar contra um império, império este que promove um tipo de progresso, progresso este que beneficia apenas donos das mineradoras, mineradoras que comprovadamente promovem uma brutal agressão na natureza ao extrair o carvão – o combustível fóssil que é vendido pra termelétrica Jorge Lacerda queimar poluindo o meio ambiente...
tadeusantos





AUDIÊNCIA PÚBLICA


APRESENTAÇÃO:
2º RELATÓRIO DE INDICADORES AMBIENTAIS DE RECUPERAÇÃO DA BACIA CARBONÍFERA DE SANTA CATARINA.


Local: Auditório da AMREC
Data: 07 de Outubro de 2008.

Terceira audiência pública no qual participamos onde o Ministério Público Federal / MPF em conjunto com a Justiça Federal / JF promoveram para a apresentação de informações sobre andamento do processo iniciado em 1993.

Para nós a Ação Civil Pública / ACP Nº. 93.80.00533-4, iniciada em 1993 pelos Procuradores da República Rui Sulzbacher e José Lira Soares do MPF de Florianópolis, foi tão histórica quanto à sentença do Juiz Federal Paulo Afonso Blum Vaz em 05 de Janeiro de 2000 (do qual muito nos orgulhamos pelas fotos dos lagos ácidos anexadas ao processo, que também foram utilizadas pelo Dr. Paulo em palestras por este Brasil a fora!). Lembrando que também é gratificante para a ONG Sócios da Natureza ter recebido um e-mail do Procurador da República, Celso Tres de Tubarão, informando que denúncias da ONG foram utilizadas na ACP contra a termelétrica Jorge Lacerda 856 MW da multinacional Tractbel/Suez.

Nesta audiência o Juiz Federal e o Procurador da República iniciaram explicando os procedimentos tomados na área jurídica e repassando a segunda parte ao Coordenador do Grupo Técnico de Assessoramento - GTA, formado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, Fundação de Amparo a Tecnologia e ao Meio Ambiente/FATMA e o Sindicato da Indústria de Extração do Carvão do Estado de Santa Catarina /SIECESC.

NOSSO ENTENDIMENTO
Ao sairmos da audiência pública do dia 07/10/2008, ocorrida no auditório da AMREC, em Criciúma (na qual foi abordada uma série de questões relacionadas ao cumprimento da sentença judicial de 2000, que condenou as mineradoras a recuperarem o meio ambiente da região carbonífera do sul de Santa Catarina) sentimos uma sensação de impotência perante os desdobramentos que vêem ocorrendo nos últimos oito (8) anos e a falta de uma expectativa sobre uma perspectiva otimista para o futuro da nossa região, que é considerada uma das 14 mais críticas do país de acordo com o Decreto Federal nº. 85.206/80. Este decreto na verdade nunca trouxe nenhum favorecimento de fato à região afetada pela exploração e queima do carvão mineral, o culpado pela maior contaminação hídrica do país!
A impotência citada se configura perante a coordenação do processo judicial representado por duas respeitáveis autoridades, ou seja, pelo Juiz Marcelo Cardoso da Silva da Justiça Federal, responsável pela audiência pública, e com o apoio do Procurador da República Darlan Airton Dias, que pela autoridade que representam, inibem, de certa forma, nós comuns de qualquer contestação por mais justa que seja. Afinal não é fácil questionar um Juiz ou um Procurador. A situação é muito delicada e complexa. Uma manifestação ou resposta mais rígida de uma autoridade deste quilate direcionada a nós, mesmo aparentando normalidade de certa forma intimida.

Talvez então devêssemos ter um advogado para em nome da ONG ou do MPV questioná-los, já que nós como cidadãos quando os questionamos entendem como ofensa, enquanto que através de um advogado talvez mude o conceito!?

Concluída a apresentação técnica o Juiz abriu espaço para que o público presente se manifestasse. Uma atitude louvável, participativa e democrática! Após as perguntas do Presidente do ‘’Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá’’ / CGBHRA e do representante do ‘’Movimento Içarense pela Vida’’ iniciamos nossa fala alertando sobre a gravidade do conflito ambiental da região carbonífera, fazendo um brevíssimo histórico da ação, que infelizmente foi desviada dos seus reais objetivos com o ‘’Comitê Gestor para a Recuperação Ambiental do Sul de SC’’. Comitê este criado imediatamente pelo Governo Federal no final de 2000, resultante de um bem articulado lobby do SIECESC, o poderoso sindicato patronal do setor carbonífero.

Este comitê que foi comandado ‘’indiretamente’’ pelo SIECESC até 2003, passando a ser coordenado de fato pela Secretaria de Qualidade Ambiental - SQA do Ministério do Meio Ambiente - MMA após o citado período inicial, mas aparentemente deixou de existir em 2004 ou 2005, porque a administração do Estado de Santa Catarina não quis mais participar por ter sido inocentado em nome da FATMA, totalmente omissa na fiscalização dos estragos causados pelas minas de carvão. Mas os reais motivos precisam ser investigados, no entanto o que nos intriga é a inexistência de prestação de contas dos milhões que foram destinados à recuperação, através do Ministério de Minas e Energia - MME e do CNPQ do MCT. Lembrando que não houve nenhum benefício à natureza agredida, mas possivelmente ao fortalecimento do setor carbonífero.

Ainda não entendemos como os técnicos do MMA, responsáveis pelo Comitê Gestor, como o dedicado e competente Damião Guedes, está vinculado a Sociedade Amigos Trabalhadores do Carvão – SATC? E Edmilson Costa, que ainda está na Secretaria de Qualidade Ambiental SQA do MMA, é presença constante nas audiências públicas se o Comitê não mais atua. Ou atua apenas para o setor carbonífero?
Mais recursos federais virão em 2009 para recuperar passivos ambientais de mineradoras falidas através de um outro órgão criado especificadamente para estes fins. (sic).

Por outro lado entendemos que o tempo de duas horas é muito exíguo para a sociedade tomar conhecimento do complicado trâmite do processo. A apresentação do técnico do GTA, (que estrategicamente fica repassando dados e informações técnicas muitas vezes questionáveis e tendenciosas) não foi satisfatória, ou seja, ele é um defensor do carvão e representa as mineradoras condenadas. As respostas aos questionamentos, nem sempre são respondidas satisfatoriamente. Esta ‘’situação em especial’’ numa audiência pública é extremamente delicada, bem diferente se fosse numa reunião de trabalho onde haveria mais liberdade aos questionamentos.

Considerando a gravidade do problema ambiental da região e a denúncia formalizada por um geólogo ao final da AP (de que outros projetos de recuperação acabaram em nada), cada vez mais nos convencemos de que é preciso a participação da sociedade, através dos comitês de bacias, do CREA, OAB, Universidades e ONGs, por exemplo, interagindo de fato nos trabalhos. Afinal, não vemos possibilidade alguma dos dois órgãos oficiais do GTA contestarem os trabalhos do SIECESC/SATC, passando então ao MPF e a JF a convicção de que os interesses do setor estejam imbuídos no teor do trabalho.
O Presidente do CGBHRA, Ernani Palma Ribeiro, perguntou se havia algum prazo para as mineradoras condenadas, quando a resposta não determinou data, ou seja, pode levar anos ou até mesmo décadas para a sentença ser cumprida.
O próprio técnico do SIECESC/SATC afirmou que a Audiência Pública não tratava da apresentação de resultados, mas de expor a forma ou metodologia de trabalho. Ora, num determinado momento parecia ser um seminário sobre drenagens ácidas e pH, chegando ao absurdo de sutilmente sugerir que a acidez entre 4 e 5 é boa para a dinâmica das matérias, que a água da chuva também é ácida e assim por diante...

Na oportunidade fizemos um rapidíssimo histórico do processo, desde a maquiagem das recuperações que não suportam erosões até a proposta do Prof. Arsênio Osvaldo Sevá, Doutor em Física e em Meio Ambiente da UNICAMP, mas exímio conhecedor da região carbonífera. Sevá defende a idéia de depositar os resíduos piritosos numa imensa catacumba de concreto como única solução eficaz de proteção ao meio ambiente.

Observamos que apesar de todo o ‘’aparente esforço’’ das mineradoras em preservação ambiental, inclusive com ISO e outras qualificações intituladas de verde, o pH da água no Rio Araranguá é 3, enquanto que no rio Mãe Luzia em alguns pontos é 2, isto é, alguma coisa está fora da ordem, da nova ordem dos políticos insensíveis e dos poderosos poluidores! Denunciamos ao Dr. Darlan Dias, que em muito tem contribuído para o avanço da sentença, mais rigor com as mineradoras que continuam a perfurar as bacias de decantação na calada da noite, um crime ambiental imperdoável.

A atual conjectura da FATMA de Criciúma está tão comprometida com o setor carbonífero que nada fará contra os abusos cometidos pelas minas de carvão, uma vergonha pública! Ao passo que a Polícia Ambiental só tem agido quando acionada pelo MP, pois além do pelotão estar sem uma infra-estrutura adequada para fiscalizar toda a região, pode estar sendo politicamente pressionado a ser mais tolerante com o setor. Temos todo respeito pelo Comandante e seus bravos soldados, principalmente ao saudoso Timoteo, afinal o primeiro doc. reivindicando a POAM para o sul de SC foi da ONGSN.
Os órgãos fiscalizadores que dependem da atual administração do Governador LHS estão submissas às diretrizes impostas totalmente contra o meio ambiente e totalmente a favor do setor produtivo, basta avaliar a absurda e inconveniente proposta do Código Ambiental.
A sociedade afetada pela poluição resultante da atividade de exploração, beneficiamento e queima do carvão mineral está totalmente ausente do processo em andamento na Justiça Federal de Criciúma. Nas duas audiências públicas anteriores, solicitamos a inclusão de segmentos organizados da sociedade civil no GTA, como os Comitês de Gerenciamentos das Bacias Hidrográficas afetadas do Araranguá, Urussanga e Tubarão, mas não fomos atendidos. Entendemos que a participação dos comitês de bacias daria mais legitimidade e transparência aos trabalhos, como também mais eficiência nos resultados dos trabalhos, além de manterem a população informada.

No final da AP o Procurador Darlan fez sérias críticas a FATMA, mas isentando os técnicos presentes como o dedicado servidor Adhyles Bortot, por exemplo, quando oportunamente aproveitamos para mencionar nossa antiga reivindicação de transferir a responsabilidade do licenciamento e fiscalização da mineração ao IBAMA, já que todos os outros órgãos responsáveis sobre o setor carbonífero são federais, como o DNPM e o próprio MPF. O mesmo respondeu comentando que o IBAMA está ausente da região carbonífera com um escritório em Laguna. Não vemos assim, pois com determinação política o IBAMA teria que obrigatoriamente instalar-se na região carbonífera.

A interferência governamental, a influência política partidária e a pressão do poder econômico estão ‘’estragando’’ a Fundação de Proteção ao Meio Ambiente de SC / FATMA. A atual coordenação da regional de Criciúma precisaria ser investigada administrativa e judicialmente, pois as reclamações e denúncias são muitas, das quais não podemos expor por uma questão de ética e receio de represálias. Já que estamos sendo sistematicamente processados, sempre que tentamos alertar as autoridades sobre determinados desmandos de pessoas que utilizam o poder público de forma inadequada.

Se a recuperação da CSN (agora privatizada) é considerada satisfatória pelos técnicos, entendemos que a Justiça Federal e o MPF deveriam viabilizar aos segmentos organizados da sociedade civil meios de transporte à visitação dos locais recuperados. Nós como ONG (sem recursos ou verbas oficiais) não temos como arcar com despesas pessoais para verificar ‘’in loco’’ as recuperações.
Esclarecendo que o único convite que aceitamos para uma visita foi na usina Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, no qual conseguimos um ônibus gratuito da PMA, com mais de 28 pessoas representando mais de 15 entidades de Araranguá e Região Sul de SC. Observando que em outras situações já recebemos propostas inconvenientes de defensores do lucro das mineradoras com justificativas indecorosas de ajuda a ONG.

Por várias vezes já solicitamos ao MP para direcionar um pequeno percentual dos recursos advindo das multas ambientais as ONGs e Movimentos Sociais via FEEC, que cumprem um importante papel na defesa do meio ambiente, algumas inclusive de forma totalmente voluntária, mas as solicitações foram em vão. Mesmo com o repasse de poucos recursos dos TACs poderíamos ser mais operacionais, viabilizando a funcionalidade e a dinâmica das missões do qual nos empenhamos e a natureza seria mais beneficiada. Observando que por um determinado tempo reivindicávamos recursos ao Pelotão da POAM com alguns repasses significativos, mas concluímos que o estado é quem deve, de acordo com a lei, investir no aparelhamento da Polícia Ambiental.

Os Termos de Ajuste de Condutas - TACs com as mineradoras condenadas são no imaginário popular a mesma interpretação de um indivíduo que foi condenado por um horrendo crime, mas que por boa conduta, obtém liberdade e passa a cometer mais crimes..., ou seja, as mineradoras condenadas continuam a poluir, outras não condenadas poluem mais ainda e novas minas são abertas com os mesmos vícios...

A prova está no São Roque, um protecionismo escancarado à mineradora Cooperminas em detrimento dos comprovados danos a comunidade rural. A mina funcionou por um intenso período sem EIA-RIMA. Em nome dos empregos subterrâneos nas minas de carvão justifica-se a escassez e contaminação de água nos poços e açudes, rachaduras em residências, poeira no ar, barulho na madrugada entre outros danos a flora e a fauna. As crianças, os jovens, os adultos e os anciões da comunidade de Santa Cruz em Içara tem toda razão em tentar preservar suas terras, afinal esta mais do que comprovado que por onde a mineração passa a devastação não permite mais recuperação!
CONCLUSÃO

Novas minas continuam sendo abertas, tornando seus proprietários exageradamente ricos, mais e mais mineiros continuam morrendo da pneumonoconiose, mais e mais os sistemas subterrâneos e superficiais de recursos hídricos continuam sendo comprometidos, mais e mais carvão continua sendo queimado na Jorge Lacerda em Capivari de Baixo, mais e mais emissão de SO², NO² e CO² continuam a poluir o ar que respiramos e causando desequilíbrio na camada de ozônio, enfim, o anunciado caos está aí e ninguém está fazendo nada para impedir! Precisará uma nova ACP pedindo a condenação destas novas minas e uma outra sentença que levará anos ou décadas para ser cumprida. Conclusão: Nunca cessará, porque nunca obedecerão a legislação para não reduzir o fabuloso lucro que dá em poluir o meio ambiente, ou seja, privatizar o lucro e socializar a poluição!

OBS. Solicitamos as autoridades, no caso o Dr. Darlan e Dr. Marcelo, que se possível anexem este documento dos Sócios da Natureza ao processo do TAC.




Só depois das florestas destruídas!
Dos rios, lagos e mares poluídos!
Das geleiras descongeladas,
Da atmosfera contaminada,
Do comprometimento total
de toda biodiversidade,
do último peixe morto!
perceberemos que o
dinheiro não se come!


Sócios da Natureza

RELATO COMENTADO SOBRE ASSEMBLÉIA CGBHRA DIA 29/10/2008

(SEM CORREÇÃO E SEM ESTRUTURAÇÃO)




ASSEMBLÉIA GERAL DO CGBHRA
29 de Outubro de 2008


Apontamentos e observações com um ‘’Olhar Sócio Ambientalista’’ sobre a sofrida Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá motivado pela preocupante questão do desmatamento e o desordenado avanço da rizicultura. O assunto é polêmico e ligeiramente desconfortante, mas é preciso democraticamente encarar para o bem comum, ou seja, da Bacia Hidrográfica.



Temos observado em quase todas as oportunidades públicas que colocamos preocupações com os fenômenos naturais e outras adversidades climáticas, com comprovada ocorrência na região sul de SC, como enchentes, por exemplo, e a relação das mesmas com a preservação da mata ciliar ou da vegetação nativa em encostas de morros, representantes de associações e sindicatos ligados à rizicultura e irrigantes fazem uma espécie de contestação ao afirmarem que na região sempre ocorreram grandes cheias no passado, quando a região ainda era florestada, tanto nas encostas quanto nas margens dos rios. Ou seja, tentam desvincular a ocorrência das cheias com o desmatamento. Argumentam que também estão preocupados com o meio ambiente e com justa razão enfatizam que estão tentando sobreviver às dificuldades da vida rural. Quanto à preocupação ambiental manifestada para nós não é convincente até prova em contrário, agora quanto às dificuldades concordamos plenamente, pois são marginalizados pelas políticas públicas do Estado e da União. Daí a razão do êxodo rural!!! Um verdadeiro descaso!

Lembro de uma enchente em 1962, em Praia Grande, que pode ter sido a maior de todas na Bacia do Mampituba, quase tão violenta quanto à de 1974. Na época, realmente havia pouco desmatamento nas encostas da serra e nas matas ciliares, como também praticamente não havia assoreamento no rio Mampituba (Lembro que pessoas ficaram desaparecidas – Na época havia muita dificuldade de comunicação!). Em 1974, ocorreu a maior enchente da história do sul de Santa Catarina com mais de 200 mortos, apenas na Bacia do Rio Tubarão. Talvez tenha sido a enchente mais violenta do país. Tanto a citada de 1962 quanto a de 1974, lembro que havia chovido intensamente na serra. Talvez a maior bacia formada no planalto (da nossa região) seja a do Mampituba baseado nas repentinas enxurradas que ocorrem no rio Mampituba e no rio Malacara. Já os formadores da Bacia do Araranguá que nascem no planalto serrano pouco contribuem com as cheias, pois suas nascentes estão bem próximas às escarpas da serra, ou seja, a intensidade das cheias é resultante das chuvas que caem sob as encostas.

Já a outra grande enchente mais recente ocorrida na nossa região foi a do Natal de 1995, onde uma trombada d’água resultante do choque entre duas nuvens, conforme depoimentos gravados na época por agricultores, residentes na localidade rural de Figueira, em Timbé do Sul, ou seja, exatamente nas encostas da serra. A precipitação foi tão intensa sobre as encostas que arrancou milhares de árvores de porte considerável, ou seja, quase toda a vegetação foi arrastada pela violência das águas conforme foto em anexo e 29 pessoas morreram na noite de Natal de 95. A gravidade do fenômeno foi tão relevante que uma equipe da UFSC veio na semana seguinte pra região fazer um levantamento/estudo. No dia seguinte, a praia do Morro dos Conventos e Arroio do Silva estava totalmente ocupada com milhares de toras de árvores. As fotos aéreas das encostas clicadas pela ambientalista Kathia Monteiro (POA) é um trágico retrato da imensidão do que aconteceu em 1995, também temos imagens e fotos que dão uma dimensão inédita em termos de enchentes na região que se tem conhecimento nos últimos 50 anos. OBS. Ver com Nilis ou Scheibe onde encontrar o material conclusivo.

Como vêem não discordamos da óbvia observação que no passado também ocorriam cheias, afinal enchentes pequenas, medias e grandes fazem parte da dinâmica da natureza, no entanto, o homem pode reduzir o impacto das mesmas aplicando sistemas preventivos e programas de adaptação junto as comunidades que vivem em áreas de risco.

Insistimos na tese de que a possibilidade de redução de impactos sociais e ambientais é bem maior se a ação antrópica for mais controlada. As compotas que a Prefeitura Municipal de Araranguá construiu, por exemplo, são medidas preventivas eficazes, tanto quanto, por exemplo, a preservação das encostas quanto das margens dos rios para evitar o assoreamento da calha natural dos córregos e rios. São coisas óbvias!!!

Pode parecer desnecessário e redundante fazer uma descrição detalhada da importância do ciclo da chuva, mas é a madura insistência que muda as mentes e corações das pessoas, senão vejamos de forma empírica o processo: A água da chuva ao cair nas encostas florestadas infiltra-se com mais facilidade pelas raízes das pequenas, médias e grandes árvores, reduzindo a quantidade de água que corre para os córregos e rios ao mesmo tempo em que arrasta poucos sedimentos para os respectivos leitos. A mata ciliar possui praticamente as mesmas funções da vegetação das encostas, além de proteger o rio, as raízes das árvores dão sustentação evitando a erosão das margens como desmoronamento, por exemplo. (Foto em anexo das encostas rasgadas e da margem desmoronada). Defendemos uma mata ciliar de 10 dez metros bem cuidada do que uma de 20 ou 50 sem sustentação adequada, que não permita a drenagem das águas.

A lição é básica e simplíssima, todo sabe, mas continuam a desmatar criminosamente e a jogar nos cursos d’água tudo o que não mais interessa ao consumo humano. As fotos provam as denúncias!

Sempre que alertamos sobre a preservação dos recursos hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Araranguá apontamos que a solução está na mudança de atitude das pessoas, tanto na área rural quanto urbana. Atualmente os maiores agressores são os urbanos com a indústria em geral, mas principalmente a carbonífera, o esgoto e lixo das cidades, apesar dos rurais usarem uma quantia bem maior de água na rizicultura, por exemplo, ainda é o setor que apresenta mais facilidade de solução. Justificamos nossa leitura argumentando que se houvessem subsídios à agricultura familiar orgânica como existe para o setor de exploração e queima do carvão os agricultores não precisariam apelar no tratamento com a natureza pois ‘’os mesmos convivem com mesma’’ de uma forma muito mais intensa que os industriais urbanos ou mesmo a população que vive entre asfalto, ferro, vidro, plástico e concreto, ou seja, um outro habitat.

Sugerimos a Diretoria do CGBHRA a urgente realização de um debate específico sobre a questão que é crucial para a preservação dos recursos hídricos da Bacia do Rio Araranguá. Entendemos que os principais conflitos relacionados ao uso da água devem ser amplamente debatidos mesmo antes da elaboração do Plano de Bacias. Na verdade nunca houve um seminário ou fórum sobre os impactos que a atividade do carvão causa aos recursos hídricos, assim como também não houve sobre o agrotóxico e a rizicultura. Falo de uma espécie de confissão espontânea, falo de um reconhecimento, sem subterfúgios, mas falo também de compreensão e de união na busca de uma solução menos onerosa aos ganhos do produtor e menos impacto aos recursos hídricos. São temas conflituosos, que não podemos continuar protelando-os, pois mais cedo ou mais tarde deverá entrar em pauta no comitê, afinal é aqui a estância final de discussão, também conhecida como parlamento das águas!

OBS. Sugerimos os nomes dos Professores Luis Fernando Scheibe - UFSC e do Carlyle de Menezes - UNESC como palestrantes por exemplo. Sugerimos também a inclusão de três moderadores, um da sociedade civil, outro dos usuários e um dos órgãos oficiais. Se o CGBHRA vir a promover este fórum entendemos que todos os prefeitos devem ser convidados participarem, como também o MPE, MPF, POAM, FATMA, IBAMA.

Temos insistido na imediata busca de soluções para evitar o anunciado caos que paira sobre a região. As imagens de satélite mostradas no Google Earth falam por si, ou seja, a falta de verde caracteriza a áreas degradadas pela rizicultura e atividade carbonífera. A Diretoria deveria obter um mapa/foto atualizado da bacia e sempre que houver reunião/assembléia colocar atrás da mesa... O processo de desertificação está iniciado entre os municípios da AMESC e AMREC, comprovadamente as nascentes da planície entre o Oceano e a Serra Geral estão comprometidas restando apenas as localizadas nas encostas da serra. Porém ao tentarmos garantir a preservação das mesmas propondo a ampliação da Reserva Biológica do Aguaí ou apoiando a proposta de criação do Refúgio da Vida Silvestre do Rio Pelotas, somos intensamente criticados e mesmo ameaçados por políticos. Ver relato Consulta Pública em Timbé do Sul.

O relato da Audiência Pública era pra ser no mínimo comentado ou mesmo lido na integra numa assembléia do CGBHRA pela relevância do tema que inclui a preservação das nascentes da Bacia do Rio Araranguá, ou seja, a garantia, já que as nascentes da planície estão comprometidas. Na verdade está faltando coragem de um enfretamento democrático e saudável que esclareça de vez o processo de aniquilação dos recursos naturais da região.

Com todo respeito que tenho pelos agricultores, mas de nada adianta ficarem dizendo que estão cuidando do meio ambiente se na prática não o fazem. Se o fazem não está sendo suficiente, pois os dados estão demonstrando mais dificuldades à agricultura, já que a escassez não é só de água, mas de terra fértil.

Para o rizicultor não interessa reserva legal, mas para o agricultor sim, porque ele sabe que é importante para a biodiversidade local. O rizicultor em sua propriedade só não destruiu a edificação ou sua moradia, pois a grande maioria acabou com a pequena horta, com o arvoredo e o jardim. Pode-se afirmar que 99% é para a irrigação do arroz. Voltamos a denunciar o Estado e a União também por não adotar políticas voltadas ao rural, tanto no fomento a produção quanto a educação, ambas se aplicadas trariam mais conforto a comunidade agrícola, consequentemente não precisariam apelar pra sobreviver.

Historicamente e estatisticamente a degradação ambiental está na ganância do setor produtivo. A atividade carbonífera detona a terra por onde passa, dizimando a flora e afugentando a fauna, além de comprometer a água, água que corre pelos cursos d’água da bacia, como o sangue que corre nas veias, tornando-a doente. Insistimos no exemplo da civilização dos Anasazis descrita no livro Colapso pelo pesquisador Jared Diamond, uma tragédia ocorrida na divisa entre o Colorado e Novo México onde milhares ficaram sem suas terras, sem floresta, sem fauna e sem água... Mas não precisamos voltar tanto no passado ou irmos tão longe para exemplificar, no Rio Grande do Sul já existem áreas em avançado processo de desertificação.

A IDÉIA DAS REUNIÕES ITINERANTES NOS MUNICIPIOS FUNCIONOU QUANDO ESTAVÁMOS MOBILIZANDO A FORMAÇÃO DO PRÓ-COMITÊ EM 1999, 2000 e 2001.

Alertei sobre a lisura e idoneidade do Plano de Bacias depois da excelente e didática apresentação do Damião Guedes, apoiado pelo Adhyles Bortot e pelo representante da SDS. A sociedade civil está um pouco distanciada do Comitê apesar de todo esforço da atual administração. Entidades como a AESC, SINTE, UAMA, OAB e Colônia Z16 entre outras pouco tem participado das assembléias do Comitê.
OBS. Tentarei motivá-los! Ligar ao Mauricio, Vanda, Chico, Roberval e Adeirde
OK. O Celso já assumiu o compromisso de passar a representar o SINTE.
OK. A UAMA indicará um outro representante.
OK. A Colônia de pesca não tem participado porque seus conflitos e suas reivindicações não são atendidas... mas
OK. Ainda não consegui falar com o Mauricio, mas tenho certeza que ouvirei ....

Lembrei que a UDESC nos procurou sobre o projeto de Educação Ambiental sobre as lagoas do Sombrio e Caverá, quando condicionamos nossa participação mediante a inclusão da Lagoa da Serra também no projeto da Petrobrás, já que faz parte do mesmo ecossistema lagunar.

Após o encerramento da Assembléia convidei o seu Alveri Sá e o mesmo topou participar do evento do dia 27 de Novembro no Becker, no entanto insisti em mostrar o projeto antes quando disse para ligar 0071. Acho que a aceitação do Alveri é uma ‘’preparação’’ para o Avani (Beto) e João José do DNIT... A participação dos ‘’contrários’’ dará uma conotação de superação dos conflitos e uma força maior para reivindicar a autorização para a implantação das placas e do monumento, antecipadamente e oportunamente à revitalização do trecho a ser municipalizado. O fato tem que ser oportunamente trabalhado objetivando o aperfeiçoamento político de Araranguá. Seu Alveri observou que a prefeitura tem que agilizar a revitalização do trecho a ser municipalizado... comentou que o motorista que vem do sul precisará fazer um ‘’esforço’’ para continuar na duplicação, pois do modo que ficará, será mais fácil continuar na reta da rodovia e entrar no perímetro urbano de Araranguá. Enfatizou sobre o Acesso Norte, que existe recurso... que o Avani sinalizou a disposição do DNIT em realizar a obra. Ernani ficou de levar a idéia ao Mariano.

Lembrar na próxima Assembléia a entrega da revista sobre Mudanças Climáticas com os depoimentos dos araranguaenses atingidos Palma Rbeiro, Niles, Leme, Tadeu e a viúva Terezinha e do livreto Mudanças Climáticas e o carvão com o relato do atingido Tadeu Santos.

Damião e Aliane da SATC me procuraram para ajudar na construção do ‘’Segundo Encontro MC’’ disponibilizando-se a trazer o Prof Ildo da USP – o que sugeriu a colocação do sensor/bóia no Atlântico Sul. Acho que o Jobson deve fazer o encaminhamento a AMREC para a que mesma repasse a SATC/SIECESC. VER COM A COMISSÃO COMO FAZER....

Ao final, o Ernani me levou pra mostrar as compotas construídas pela atual administração municipal. Realmente evitam que as cheias do Rio Araranguá adentrem nas áreas agriculturáveis entre a Sanga do Marco e a rodovia BR-101, que de encontro com as águas transbordadas após a ponte pênsil causavam alagamentos na Barranca e na pista da BR-101, ou seja, uma solução inteligente e preventiva, solucionando os transtornos que ocorriam mesmo em enchentes consideradas médias. Observamos uma vila de barracos invadindo a margem do Rio Araranguá entre o ponto onde será construída a segunda ponte de Araranguá e a ponte da Sanga do Marco sobre o Rio Mãe Luzia. É preciso urgentemente um programa assistencial que promova a transferência das famílias ribeirinhas para áreas mais seguras e com mais dignidade social.

Observamos que mais uma construção de madeira foi erguida na margem do rio Araranguá próximo à ponte pênsil na Barranca. Com a retirada das construções clandestinas do Paraguai via Ajuste de Condutas do MPE, as autoridades deveriam estar atentas às outras construções que passam a surgir nas margens do Rio Araranguá.

Parece que está nos planos do Prefeito Mariano o asfaltamento da beira rio da Barranca, que seguindo experiências de outros paises, poderia ter sua greide levantada como forma de evitar o transbordamento do rio, ou seja, a beira rio seria a muralha contra as cheias no perímetro urbano. Seria uma excelente obra, pois valorizaria o bairro, mas teria que vir acompanhado de projeto de recuperação da Mata Ciliar, da retirada das construções irregulares e de outros aspectos preventivos como só permitir construções sob pilotis e outras que serão apontadas na elaboração do Plano Diretor. A Barranca talvez seja um dos bairros que mais precisa de atenção da Administração Municipal por estar localizada em uma das áreas mais vulneráveis do município.

Árvores caídas na margem do rio junto a Rua Rui Barbosa merecem uma investigação para descobrir qual a causa da queda de três num mesmo local, ou seja, próximo ao canal que atravessa a XV e a Sete e desemboca no Rio Araranguá. A tendência é que mais árvores venham a cair nas proximidades do canal promovendo desmoronamento das margens.

O Acesso Norte tentado pela administração do ex-prefeito Menegalli, inclusive com projeto elaborado, poderá ser viabilizado objetivando o escoamento do trânsito para o lado norte da BR-101, facilitando como um possível anel viário para Araranguá e Arroio do Silva. Esta seria a justificativa mais favorável ao projeto, porém existe inconvenientes pela área local ser facilmente alagável pelo baixo nível dos terrenos, daí chamar-se de Baixadinha – Enquanto não for solucionado o transbordamento do rio Araranguá ao longo dos seus 38 ou 40 KM de extensão, criando um ‘’mar de água’’ principalmente na planície agriculturável. Observa-se que o fenômeno ocorre sempre dois ou três dias após a chuva, geralmente nas encostas da Serra Geral. Para evitar o alagamento da Baixadinha uma das soluções seria o erguimento do nível da estrada que margeia o rio até o local pretendido pelo acesso norte, numa espécie de medida compensatória da obra. Se o acesso norte vir a ser construído a curto prazo, deverá ser adaptado as cheias de forma a não vir ser obstáculo a dinâmica das águas criando um efeito dique, consequentemente alagando ainda mais os bairros de ambos os lados do rio e trazendo transtornos e prejuízos as comunidades afetadas.

Araranguá precisa ‘’estudar’’ profundamente a questão das cheias do rio Araranguá, pois será um problema eterno a Sociedade Civil, a Administração Municipal, ao CGBHRA e a Defesa Civil.

Numa recente reunião sobre Mudanças Climáticas ocorrido no auditório na AMESC, um dos presentes, oportunamente questionou se a realização do ‘’Segundo Encontro sobre Fenômenos Naturais, Adversidades e Mudanças Climáticas’’ seria conveniente, contra argumentando que poderia ter efeito negativo junto a população que não gosta de lembrar o dramático dia 28 de Março de 2004 do Catarina, de tornados, ciclones e enchentes e que empresários de fora podem repensar possíveis investimentos ao tomarem conhecimento que aqui ocorrem catástrofes. Respondemos que é justamente por estas e outras razões que estamos preocupados, pois os fenômenos climáticos continuarão a ocorrer queiramos ou não, daí termos que buscar medidas preventivas que possibilitem a redução dos impactos sociais, econômicos e ambientais.

Dois exemplos de prevenção foram citados na ocasião, a primeira de conotação educativa, esclarecimento, ou seja, de conhecimento das causas, que é da menina que comentou com os pais para retirar-se da praia, pois quando o mar se recolhe é porque algum eminente perigo existe. O exemplo teve repercussão mundial, pois o alerta da menina salvou centenas de pessoas do Tsunami naquela determinada praia. O segundo exemplo comentado foi das cheias que o rio Araranguá invade a pista da rodovia BR-101 interditando o tráfego até por uma semana, causando transtornos sociais e econômicos para a região sul do país, além de provocar uma péssima divulgação para Araranguá como cidade alagada.

A iniciativa da sociedade civil organizada em 1998 denominada de Movimento Pró-Araranguá reivindicou o desvio da duplicação por fora do perímetro urbano, tendo como uma das justificativas a solução das cheias sobre a pista. Esta é uma medida preventiva considerada como física, ou seja, o homem interfere via engenharia para solucionar um conflito. OBS. Outra ação física preventiva será a instalação de estações meteorológicas em pontos estratégicos da bacia hidrográfica pela UFSC e um sensor/bóia no Atlântico Sul pela Marinha.

Enfatizamos na ocasião que a discussão das Mudanças Climáticas via o evento programado, além de ser esclarecedor para a população, possibilita a vinda de recursos governamentais a fundo perdido para região, desde que sejam elaborados bons projetos, ressalta-se que para qualquer setor como educação, saúde, agricultura e meio ambiente. O raciocínio pode até ser oportunista, mas carregado de honestidade e cabe para outros pontos fracos e fortes do município e região, como a cobrança ao Estado e a União de uma medida compensatória pelos danos sociais, econômicos e ambientais causados ao Rio Araranguá nas últimas décadas pela exploração do carvão, tanto pela omissão quanto pela CSN quando estatal.

A reclamação se justifica quando a própria União decretou a região como uma das 14 mais poluídas do país, com compromisso de repassar recursos para sua recuperação, observando que todos os projetos ou programas resultaram em rotundos fracassos, ou seja, a natureza nunca foi de fato recuperada, muito menos beneficiada! OBS. O Nordeste utiliza deste ‘’expediente’’ para conseguir recursos a fundo perdido do Governo Federal, pena que quando chega na seca por exemplo, quase tudo tenha sido distribuído para a sede dos bolsos.

O momento de organização e dinâmica pelo que passa o CGBHRA obriga-o a olhar com mais coragem outros pontos sempre considerados distantes, mas de muita proximidade com a preservação dos recursos hídricos, por isso entendemos que precisa agir politicamente e lutar pela realização da Avaliação Ambiental Estratégica - AAE para a fixação da foz do rio Araranguá. Poderia ser uma articulação em parceria com o MPF e SDS!!!




Tadeu Santos Socioambientalista - Araranguá, 08/10/2008.

OBS. (rascunhão / relato comentado ao Presidente Palma Ribeiro, ao Secretário Sérgio Soares, ao Nilis, a Yasmine e a Rose. Como tantos outros textos que escrevi e nunca foram finalizados por falta de tempo, este repasso aos amigos sem a adequada estruturação e correção, mas a ‘’mensagem’’’ penso estar objetiva e explicita!)





Sócios da Natureza


EXTRAÍDO DA INTERNET
A catástrofe de 24 de dezembro de 1995 em Timbé do Sul, Jacinto Machado e Sideropólis no Sul do Estado ocasionou 29 mortos. Estudos geomorfológicos nos vales de Figueira e Pinheirinho mostram o fenômeno do tipo corrida de lama (Pellerin et al, 1997 e 2002) foi originado por uma forte chuva de quatro horas e meia sobre a Serra que propiciou uma enxurrada violenta. O fluxo hiperconcentrado carregado de lama, blocos e troncos de árvores resultou em numerosos escorregamentos na serra Geral e destruiu 12km de vales cultivados, antes de se dispersar no baixo vale (Figura 06).
Nos AVADANs há registro de apenas um único episódio de escorregamento no município de Timbé do Sul, nos demais Jacinto Machado e Siderópolis, onde dois vales foram igualmente atingidos, não há nenhum registro. Além de que, os relatórios não separam claramente a catástrofe de 24 de dezembro 95 das enchentes generalizadas que afetaram toda bacia do Rio Araranguá. Durante os dias seguintes (25 a 28/12) a continuação da chuva provocou enchentes e muitos escorregamentos ao longo da BR-101; não somente na bacia do rio Araranguá, como também na Praia Grande e em Florianópolis, relatadas nos jornais de circulação regional e nos relatórios do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens - DNER.
Figura 6 - Vale do rio Figueira, no município de Timbé do Sul: observar os deslizamentos nas vertentes da serra Geral entre 600 e 1100m de altitude, atingindo todos os eixos de drenagem de primeira e segunda ordem. No primeiro plano, a 12km da serra, o vale foi totalmente remanejado pelo fluxo de corrida de lama (mud flow).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As análises das ocorrências de escorregamentos no estado de Santa Catarina, tomando como referência os relatórios de Avaliação de Danos de 1980 a 2003, revelaram que, do total de 140 registros efetuados, os municípios que apresentaram o maior número de escorregamentos foram os localizados nas Serras do Leste Catarinense, Blumenau Florianópolis e São José, e correspondem aos mais populosos do Estado, mas em magnitude podemos destacar o escorregamento de grande extensão que ocorreu na Serra Geral, em dezembro de 1995, afetando os municípios de Timbé do Sul, Jacinto Machado e Siderópolis.