22 dezembro, 2009

CIDADANIA AMBIENTAL 22 de Dezembro de 2009

Cidadania Ambiental Tadeu Santos 21/12/2009 – Última edição do ano.



CARVÃO AQUI NÃO
Quando as mineradoras mataram o Rio Araranguá na década de 70 perderam definitivamente o direito de minerar no Município. O crime é imperdoável e inafiançável, apenas a recuperação do manancial poderia dar-lhes o direito de mexer no subsolo araranguaense na busca do valioso minério. Minério este que está reservado para as futuras gerações de araranguaenses num caso de extrema necessidade de sobrevivência. A aprovação da Lei pelo Poder Legislativo e a sanção do Executivo poderá até vir ser atribuída de inconstitucional, mas para nós araranguaenses é soberana e a defenderemos sempre pela preservação dos nossos recursos naturais e por uma melhor qualidade de vida para a população.

II EFAMuC x COP 15
O Audiovisual sobre o II EFAMuC foi exibido na COP 15 em Copenhagen no dia 17 no KlimaFórum, certamente que fora do Bella Center porque tudo que era das ONGs foi boicotado, imagine então algo de um país latino americano. Para acessar pode ser via You Tube http://www.youtube.com/watch?v=ANLRohuv1Bg . Um outro curta produzido em São Paulo pelo TicTacTicTac também está no You Tube com a participação deste que escreve sob o link
http://www.youtube.com/meuclimadevolta#p/a/u/1/YD4DX8f0teo

ARARANGUÁ
A multa que foi imputada a mim no período eleitoral ainda não foi decidida em Florianópolis, por haver comentado que Araranguá estaria com a implantação da UFSC e do IF-SC dando um passo em direção a um futuro de qualidade e que o sistema de esgoto sanitário também seria um avanço na qualidade de vida da população. A Duplicação da BR-101 é, sem dúvida alguma, a obra que possibilitará o desenvolvimento para todos os setores. Finalmente a foz /barra do rio Araranguá poderá ser fixada para facilitar a entrada e saída de embarcações no caudaloso e navegável rio Araranguá, promovendo imensas oportunidades de desenvolvimento tanto na pesca quanto no turismo. Mas voltando a multa, não sabemos ainda qual o desfecho, enquanto isso poderemos continuar comentando sobre tudo isso que está vindo de bom para o município de Araranguá, porém o planejamento apontado no inovador Estatuto das Cidades que passa a orientar a ordenada implantação do Plano Diretor, poderá ficar mais difícil e com conseqüências graves na relação da expansão urbana e uso do solo. Estas preocupações foram debatidas nas leituras comunitárias e nas reuniões temáticas, mas será nas audiências publicas que se decidirá o futuro do planejamento urbano e rural. Na complementação da abordagem, não poderia faltar os encaminhamentos que estão sendo feitos em relação as adversidades do clima que estão acontecendo com frequência e intensidade aqui em Araranguá e região, no qual abordaremos numa próxima oportunidade.

ARRECADAÇÃO
A ONG Sócios da Natureza chegará aos 30 anos de existência no dia 06 de Junho de 2010, para isso iniciará pela primeira vez em sua história uma campanha para arrecadação de donativos para manter a sobrevivência e dinâmica da organização voluntária e sem fins lucrativos, indicando a Conta nº 17095-3 da Agência 0427 da Caixa Econômica Federal de Araranguá. Qualquer quantia pode ser depositada tanto por pessoa física ou jurídica. Desde já agradecemos as contribuições. Os doadores que quiserem ter seus nomes divulgados devem entrar em contato com a coordenação da ONG pelo telefone 99850053 ou pelo e-mail sociosnatureza@contato.net

FNMA
Assumimos no dia 11/12/09 a cadeira de titular representando o CONAMA no Conselho do FNMA, ficando a suplência com o CONSELHO NACIONAL DE COMANDANTES GERAIS DAS POLÍCIAS MILITARES E CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES - CNCG.

FCMG
Como já comunicamos anteriormente passamos a participar como suplentes pela FEEC do FÓRUM CATARINENSE DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS / FCMG.

GTC
Coincidentemente na mesma data que o nosso projeto propondo a elaboração de mais estudos sobre as tragédias do clima que estão acontecendo aqui na região sul e a criação do Observatório do Clima foi reprovado pela FAPESC e 22ª SDR, o assessor da Presidência Fernando Aquino nos procurou propondo articular uma reunião aqui em Araranguá para implementar o GRUPO DE TRABALHO CIENTIFICO / GTC. Na semana passada recebemos telefonema do Presidente da FAPESC, Prof. Antônio Diomário Queiroz perguntando se estávamos dispostos a articular junto com o CGBHRA a reunião marcada para a data para 08 de Fevereiro de 2010.

DESORDEIROS SONOROS / Via pública (Rua/Avenida) não é pista de competição.
Importunar o trabalho e o sossego dos outros é o que interessa aos disc-jóqueis ambulantes que pairam em Araranguá e outras cidades deste país e que deve dar um imenso prazer aos desobedientes jovens, que sabem que estão violando o direito dos outros sem serem punidos, por alguma razão, porque tem pais poderosos ou porque estão drogados. Para quem mora no centro a madrugada de sexta pra sábado do dia 19/12/2009 foi um inferno, pois a cada meia hora algo extrapolava os limites da razão. Se tivesse uma viatura policial no centro certamente que teria apreendido uns dez carros apenas por irregularidade no trânsito. Somos da opinião que deveriam prender também os motoristas desordeiros.
Ouvir o barulho de uma cidade é imprescindível, coisa que não se pode evitar, porém quando os níveis de ruído ultrapassam o permitido pela legislação, o direito da população é desrespeitado de forma criminosa e é preciso a intervenção enérgica da autoridade. Transitar as 04:30 da madrugada pela cidade com o som ligado em alto volume é tão grave quanto praticar tráfico de drogas e em praça pública, pois o pânico provocado causa um malefício ao coletivo. Circular com cano de descarga alterado (carros e motos), além de produzir um barulho incômodo emite gases venenosos e de efeito estufa.
OBS. I - Carros com propaganda sonora agora circulam também aos domingos e ninguém faz nada para conter o abuso. Como não é um barulho normal de cidade e é prescindível deveria, portanto, haver regras para disciplinar o uso.
OBS. II - Ninguém é obrigado a ter que ouvir todos os dias ruídos ensurdecedores, programação com músicas de gosto duvidoso, inclusive algumas com palavrões, promessas de salvação, entre outras bobagens anti-culturais e educacionais.
OBS. III – Algo precisa ser feito para conter a má educação e intransigência, pois os jovens utilizam a via pública (Rua/Av) como se fosse uma pista de competição/corrida.

NÓS LEIGOS AMBIENTAIS...

NÓS LEIGOS AMBIENTAIS...

Infelizmente o contundente discurso do Lula lá na COP não corresponde a prática aqui no Brasil, já que antes de viajar deixou o BNDES emprestar um Bilhão de R$ ao estrategista Eike Batista, dono absoluto da MPX para construir uma térmica a carvão no Maranhão (e construirá outras no Ceará e Pará) e assinou com a Dilma e o Tolmasquim procedimentos para apoiar mais térmicas em SC e no RS. Uma atitude totalmente inversa a vanguarda assumida em Copenhagen, portanto na contramão da história. Não dá pra entender!
O nosso Presidente empolgaria muito mais se tivesse proposto um acordo vinculante mais ousado que o de Kyoto, que foi bom, mas não é mais, pois tornou-se mercantilista e paliativo. Paliativo porque não reduz as emissões de gases efeito estufa, nem os da silenciosa e maléfica chuva ácida, nem a imensa quantidade de calor evaporado, além de toda a brutal agressão aos recursos naturais na exploração do minério.
Nós leigos entendemos que uma conferência deveria antes de tudo ser abrangente e democrática, oportunizando todas as tendências e correntes da ciência, juntamente com os atingidos/testemunhos, num debate amplo sobre o aquecimento global. Entendemos também que deveria haver uma identificação das várias formas de emissões, classificá-las e encontrar os procedimentos mais adequados de como reduzi-las sem causar falência a nenhum setor, porém é preciso sacrifício por parte do poluidor. Enquanto não houver recuo do lucro de nada adiantará discutir entre as partes, partes todas comprometidas com o poder econômico. A ONU não deveria reformular a COP? Torná-la mais socioambiental?
O que vimos nesta COP 15 foi uma imposição do poder econômico que polui o planeta, agindo por trás dos governantes, com o discurso de que os mesmos não podem reduzir as emissões porque geram divisas e empregos. Enquanto que ao mesmo tempo os governantes priorizavam a quantidade de dólares que iriam botar em cima da mesa, mesa que apontava dados sobre o desequilíbrio do clima na Terra. Estão distorcendo tudo. Dos 700 brasileiros que foram à Dinamarca, por exemplo, apenas 10% entendiam do que tratava a conferência, o resto foi fazer turismo e campanha eleitoral.
Quando se fala em mudanças climáticas no Brasil logo se pensa no criminoso desmatamento na Amazônia, enquanto que o mundo inteiro pensa na redução da queima de combustíveis fósseis e na combustão provocada pela imensa frota de veículos, por exemplo. Priorizar o combate apenas as queimadas não é eficientemente correto. Já manifestamos nossa indignação que o meio ambiente no Brasil não é só a Amazônia, outros biomas como a Mata Atlântica, Pantanal, Pampa, Cerrado e a Caatinga também precisam de atenção da União.
Criaram o FBMC apenas para a comunidade científica pensar as mudanças climáticas, pois não ouvem as populações afetadas. O PNMC só se aproveita a metade, o resto é bobagem. Enquanto que no sul do país estão acontecendo as tragédias do clima com uma freqüência e intensidade assustadora, como por exemplo o município de Araranguá – epicentro do furacão Catarina e reconhecido pelas suas catastróficas enchentes desde 1974, passou a registrar tormentas, vendavais, chuvas de granizo gigante, estiagens, ciclones extratropicais e tornados, ou seja, as comunidades desprotegidas ou que vivem em área de risco já estão vivendo uma nova concepção de vida, entrando em estado de pânico sempre que surge um vento repentino, uma nuvem mais escura ou trovoadas seguidas. O cenário da região sul de SC e RS já pode ser considerado estado de emergência climática.
Estudos mais profundos além da ciência da meteorologia como a geofísica, oceanografia, sociologia e ou qualquer outra que esclareça a população que quer respostas para melhor se prevenir e se adaptar.

Tadeu Santos - Coordenador da ONG Sócios da Natureza / Araranguá – SC, 22 de Dezembro de 2009.